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Existência de Deus
Deus existe. É a origem e o
fim de tudo. É o criador,
causa de todas as coisas.
Deus é a Suprema Perfeição,
com todos os atributos que a
nossa imaginação possa
imaginar, e muito mais. Não
podemos conhecer sua
natureza, porque somos
imperfeitos. Como uma
inteligência limitada e
imperfeita como a nossa
poderia abranger o
conhecimento ilimitado e
perfeito, que é Deus? No
entanto, alguns de seus
atributos já conseguimos
deduzir:
- Deus é eterno; se ele
tivesse tido um começo,
teria saído do nada, ou
teria sido criado, ele
mesmo, por um ser anterior.
É assim que, de degrau em
degrau, remontamos ao
infinito e à eternidade.
- É imutável; se estivesse
sujeito às mudanças, as leis
que regem o Universo não
teriam nenhuma estabilidade.
- É imaterial; quer dizer,
sua natureza difere de tudo
o que chamamos matéria, de
outro modo ele não seria
imutável, porque estaria
sujeito às transformações da
matéria.
- É único; se houvesse
vários deuses, não haveria
unidade de vistas, nem
unidade de poder no
ordenamento do Universo.
- É todo-poderoso; porque é
único. Se não tivesse o
soberano poder, haveria
alguma coisa mais poderosa
ou tão poderosa quanto ele;
não teria feito todas as
coisas, e as que não tivesse
feito seriam obras de um
outro Deus.
- É soberanamente justo e
bom. A sabedoria
providencial das leis
divinas se revela nas
menores coisas, como nas
maiores, e essa sabedoria
não permite duvidar da sua
justiça, nem da sua bondade.
Imortalidade da Alma
Antes de sermos seres
humanos filhos de nossos
pais, somos, na verdade,
espíritos, filhos de Deus. O
Espírito é o princípio
inteligente do Universo,
criado por Deus, simples e
ignorante, para evoluir e
realizar-se individualmente
pelos seus próprios
esforços.
Como espíritos, já
existíamos antes de
nascermos e continuaremos a
existir, depois da morte
física.
Quando o espírito está na
vida do corpo, dizemos que é
uma alma ou espírito
encarnado. Quando nasce,
dizemos que reencarnou;
quando morre, que
desencarnou. Desencarnado,
volta para o Plano
Espiritual ou
Espiritualidade, de onde
veio ao nascer.
Os espíritos são, portanto,
pessoas desencarnadas que,
presentemente, estão na
Espiritualidade.
Reencarnação
Criado simples e ignorante,
o espírito é quem decide e
cria o seu próprio destino.
Para isso, ele é dotado de
livre-arbítrio, ou seja,
capacidade de escolher entre
o bem e o mal. Desse modo,
ele tem possibilidade de se
desenvolver, evoluir,
aperfeiçoar-se, de tornar-se
cada vez melhor, mais
perfeito, como um aluno na
escola, passando de uma
série para outra, através
dos diversos cursos. Essa
evolução requer aprendizado,
e o espírito só pode
alcança-la encarnando no
mundo e reencarnando,
quantas vezes forem
necessárias, para adquirir
mais conhecimentos, através
das múltiplas experiências
de vida.
O progresso adquirido pelo
espírito, pelas experiências
vividas nas inúmeras
existências, não é somente
intelectual, mas, também, o
progresso moral, que vai
aproxima-lo cada vez mais de
Deus.
Mas, assim como o aluno pode
repetir o ano escolar – uma,
duas ou mais vezes – o
espírito que não aproveita
bem a sua existência na
Terra pode permanecer
estacionário por muito
tempo, conhecendo maiores
sofrimentos, e atrasando,
assim, sua evolução.
Não sabemos quantas
encarnações já tivemos, e
muito menos quantas temos
pela frente. Sabemos, no
entanto, que, como espíritos
atrasados, teremos muitas e
muitas encarnações, até
alcançarmos o
desenvolvimento moral
necessário para nos
tornarmos espíritos puros.
Todavia, nem todas as
encarnações se verificam na
Terra. Existem mundos
superiores e inferiores ao
nosso. Quando evoluirmos
muito, poderemos renascer
num planeta de ordem
elevada. O universo é
infinito e “na casa de meu
Pai há muitas moradas”, já
dizia Jesus. A Terra é um
mundo de categoria moral
inferior, haja vista o
panorama lamentável em que
se encontra a humanidade.
Contudo, ela está sujeita a
se transformar numa esfera
de regeneração, quando os
homens se decidirem a
praticar o bem e a
fraternidade reinar entre
eles.
Esquecimento do Passado
Não lembramos das vidas
passadas e nisso está a
sabedoria de Deus. Se
lembrássemos do mal que
fizemos ou dos sofrimentos
que passamos, dos inimigos
que nos prejudicaram ou
daqueles a quem
prejudicamos, não teríamos
condições de viver entre
eles atualmente. Pois,
muitas vezes, os inimigos do
passado hoje são nossos
filhos, nossos irmãos,
nossos pais, nossos amigos,
que presentemente se
encontram junto de nós para
a reconciliação. Por isso,
existe a reencarnação.
Certamente, hoje estamos
corrigindo erros praticados
contra alguém, sofrendo as
conseqüências de crimes
perpetrados, ou mesmo sendo
amparados, auxiliados por
aqueles que, no pretérito,
nos prejudicaram. Daí a
importância da família, onde
se costumam reatar os laços
cortados em existências
anteriores.
A reencarnação, desta forma,
é a oportunidade de
reparação, como é também,
oportunidade de devotarmos
nossos esforços pelo bem dos
outros, apressando nossa
evolução espiritual. Quando
reencarnamos, trazemos um
“plano de vida”,
compromissos assumidos
perante a Espiritualidade e
perante nós mesmos, e que
dizem respeito à reparação
do mal e à prática de todo o
bem possível. Dependendo de
nossas condições
espirituais, podemos ou não
ter escolhido as provas, os
sofrimentos, as dificuldades
que provarão nosso
desenvolvimento espiritual.
A reencarnação, portanto,
como mecanismo perfeito da
Justiça Divina, explica-nos
porque existe tanta
desigualdade de destino das
criaturas na Terra. A
finalidade da vida na Terra
é, portanto:
- para expiarmos o mal
praticado, reparando nossos
erros;
- para provarmos ou medirmos
nosso grau de evolução, ante
as dificuldades da vida
- para ajudarmos a
humanidade e exemplificarmos
o bem diante dos outros
- para desempenharmos missão
especial, no caso de
espíritos elevados que
prestam grandes serviços à
humanidade.
Pelo mecanismo da
reencarnação, verificamos
que Deus não castiga. Somos
nós os causadores dos
próprios sofrimentos, pela
lei de “ação e reação”.
Comunicabilidade dos
Espíritos
Os espíritos são seres
humanos desencarnados. Eles
são o que eram quando vivos:
bons ou maus, sérios ou
brincalhões, trabalhadores
ou preguiçosos, cultos ou
medíocres, sinceros ou
mentirosos.
Eles estão por toda parte.
Não estão ociosos. Pelo
contrário, eles têm as suas
ocupações, como nós, os
encarnados, temos as nossas.
Não há lugar determinado
para os espíritos.
Geralmente os mais
imperfeitos estão junto de
nós, por causa de nossas
imperfeições. Não os vemos,
pois se encontram numa
dimensão diferente da nossa,
mas eles podem ver-nos e até
conhecer nossos pensamentos.
Os espíritos agem sobre nós,
mas essa ação é quase
restrita ao pensamento,
porque eles não conseguem
agir diretamente sobre a
matéria. Para isso, eles
precisam de pessoas que lhes
ofereçam recursos especiais:
essas pessoas são chamadas
médiuns.
Pelo médium, o espírito
desencarnado pode
comunicar-se, se puder e se
quiser. Essa comunicação
depende do tipo de
mediunidade ou de faculdade
do médium: pode ser pela
fala (psicofonia), pela
escrita (psicografia), por
batidas (tiptologia), etc.
Mas, toda e qualquer
comunicação não deve ser
aceita cegamente: precisa
ser encarada com reserva,
examinada com o devido
cuidado, para não sermos
vítimas de espíritos
enganadores. A comunicação
depende da conduta moral do
médium. Se for uma pessoa
idônea, de bons princípios
morais, oferece campo para
aproximação e manifestação
de bons espíritos. Chico
Xavier, por exemplo, foi um
bom médium, pelas qualidades
morais de que é portador.
A Doutrina Espírita alerta
as pessoas muito crédulas
contra as mistificações e
contra os falsos médiuns,
que tentam iludir o público
menos avisado em troca de
vantagens materiais. Por
isso, é importante que,
antes de ouvir comunicação,
a pessoa se esclareça a
respeito do Espiritismo.
Fé Racionada
Para podermos crer na
verdade, antes de mais nada,
precisamos compreender
aquilo em que devemos crer.
A crença sem raciocínio não
passa de uma crença cega, de
uma crendice ou mesmo de uma
superstição. Antes de
aceitarmos algo como
verdade, devemos analisa-lo
bem. O mal de muita gente é
acreditar facilmente em tudo
que lhe dizem, sem cuidadoso
exame.
“Fé inabalável é aquela que
pode encarar a razão face a
face, em todas as épocas da
humanidade” – Allan Kardec
Lei da Evolução
Cada um de nós é um espírito
encarnado a caminho de Deus.
A vida na Terra é sempre uma
oportunidade de
reajustamento no caminho do
bem. A escolha nos pertence.
Logo, as conseqüências boas
ou más são resultado de
nossas próprias decisões. É
a lei da “ação e reação”,
das causas e conseqüências.
Se, agora, estamos sofrendo,
podemos concluir que a causa
do sofrimento advém de erros
anteriores. Se, portanto,
fizermos o mal, cedo ou
tarde, sofreremos a sua
conseqüência. “A cada um
segundo as suas obras” –
disse Jesus. Isso explica a
razão de tanto sofrimento no
mundo. Por isso, um caminha
mais depressa que o outro,
como os diferentes alunos de
uma mesma classe escolar.
Quanto melhor nossa conduta,
mais depressa nos
libertaremos dos
sofrimentos, encurtando o
caminho da evolução.
Não há céu nem inferno,
conforme pintam as religiões
tradicionais. Existem, sim,
estados de alma que podem
ser descritos como
celestiais ou infernais. Não
existem também anjos ou
demônios, mas apenas
espíritos superiores e
espíritos inferiores, que
também estão a caminho da
perfeição - os bons se
tornando melhores e os maus
se regenerando. Deus não
quer que nenhum de seus
filhos se perca, e a Vontade
de Deus, a Suprema Vontade,
é a Lei.
Se a sorte do ser humano
fosse inapelavelmente selada
após a morte, todos
estaríamos perdidos, visto
termos sido muito mais maus
do que bons e quase ninguém,
hoje em dia, mereceria ir
para o céu de
bem-aventuranças, onde só
caberiam os puros.
Por outro lado, uma vida,
por mais longa que seja, não
é suficiente para nos
esclarecer a respeito dos
planos de Deus. Muitos não
têm sequer como garantir a
própria sobrevivência e
muito menos ainda
oportunidade de uma boa
educação. Muitos nunca foram
orientados para o bem.
Outros, morrem cedo demais,
antes mesmo de se
esclarecerem sobre o melhor
caminho a seguir. Para
medirmos o quanto de absurdo
existe na idéia do céu e o
inferno, como penas eternas,
basta que formulemos as
seguintes perguntas:
- “Como é que Deus, sendo o
Supremo saber, sabendo
inclusive o nosso futuro,
criaria um filho, sabendo
que ele iria para o inferno
para toda a eternidade? Que
Deus seria esse? Onde a sua
bondade e a sua
misericórdia?”
- “E, como ficaria no céu
uma mãe amorosa, sabendo que
seu filho querido está
ardendo no fogo do inferno?
A Lei Moral
Portanto, ninguém está
perdido. Cada qual tem a
oportunidade que merece. Se
um pai humano, que é
imperfeito e mau, não é
capaz de condenar
eternamente um filho, por
pior que seja, quanto mais
Deus, que é o Pai
Misericordioso e Perfeito,
que faz chover sobre os bons
e os maus, que faz com que a
luz do sol ilumine os justos
e injustos, indistintamente.
Seguir o exemplo vivo de
Jesus deve ser o ideal de
todo cristão sincero.
Não adianta dizer que se
pertence a esta ou àquela
religião, não adianta
permanecer orando o tempo
todo. O importante é a
prática, é a vida de todos
os dias, porque como disse
Tiago: “a fé sem obras é
morta!”
Amai-vos uns aos outros,
recomendou Jesus. E não há
outra maneira de amar, se
não formos caridosos.
Caridade é ser benevolente,
paciente, tolerante,
humilde. É fazer para os
outros o que desejamos que
nos façam. Como não queremos
que nos façam o mal, mas
todo o bem possível, assim
também devemos agir para com
eles: familiares, parentes,
amigos, estranhos e até
inimigos.
A obrigação do cristão é ser
um trabalhador do bem, dando
sua parte, por pequena que
seja, na luta por um mundo
melhor.
Fonte: Jornal Integração
Espírita – USE
Intermunicipal de Jundiaí
Edição setembro/2003
complementado pelo Depto. de
Orientação Doutrinária do
C.E.O.V. |