Esclarecendo Dúvidas

    1 - O que é o Espiritismo?

R. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos e as suas relações com o mundo material. Foi codificado por Allan Kardec a partir dos ensinamentos dos Espíritos Superiores e seu conteúdo encontra-se exarado nos livros que compõem as Obras Básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese).
Possui um tríplice aspecto: ciência, filosofia e moral, de tal forma que podemos considerá-lo ainda como uma filosofia de comprovação científica e com conseqüências morais.

    2 - O Espiritismo é uma religião?

R. O codificador Allan Kardec, na Revista Espírita do ano de 1868, no mês de dezembro, pronuncia um discurso que tem por tema “O Espiritismo é uma religião?” e, preliminarmente, aborda a questão da comunhão do pensamento e sua finalidade e importância, reconhecendo a força do pensar, sua atuação e amplitude. Salienta que numa assembléia, os pensamentos dos participantes da mesma proporcionam um clima de harmonia ou de discórdia no ambiente.
Prossegue o codificador: “Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a “comunhão de pensamentos”; é que, com efeito, a palavra “religião” quer dizer “laço”. Uma religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que “religa” os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças (...) o laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como conseqüência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas (...) Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim sem dúvida senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.”
Fica claro nas palavras de Allan Kardec, que do ponto de vista do verdadeiro significado da palavra religião, efetivamente o Espiritismo nele se enquadra, mas não trata-se de uma religião onde há cultos, dogmas, celebrações que falam mais aos olhos do que ao coração; nada do que vem através de aparatos exteriores se enquadra em seus princípios, mas sim, aquilo que é apoiado na moral e na razão, no sentimento e no raciocínio.

    3 - O que são os Espíritos?

R. Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material (O Livro dos Espíritos, pergunta 76).
A Doutrina Espírita nos informa que todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes, sem o conhecimento do bem e do mal e, através das múltiplas reencarnações, progridem intelecto-moralmente, tendo por objetivo atingirem a perfeição (perfeição relativa, pois a absoluta somente Deus a possui).

    4 - Todos os Espíritos são iguais?

R. Não. Tendo Deus criado Espíritos em todas as épocas, nunca permanecendo inativo, há por conseqüência espíritos muito antigos, que já atingiram as culminâncias do progresso, enquanto que outros apenas estão iniciando a caminhada. Como estão em variados estágios evolutivos, há alguns com expressivos cabedais de conhecimento nas áreas das ciências, enquanto outros avançaram mais nas artes, outros ainda no campo moral e religioso.
De acordo com o esforço de cada espírito pode-se acelerar ou retardar o avanço rumo ao progresso e, conseqüentemente, rumo à própria felicidade e plenitude.

    5 - O que é obsessão?

R. De acordo com o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 28, item 81, “é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais”.
A obsessão somente pode ser efetuada por um espírito inferior, que tenta dominar sua “vítima” a partir da vinculação mental. Os espíritos superiores, pelo contrário, jamais impõem sua vontade, respeitando o livre-arbítrio do indivíduo.
Na questão de número 459 de O Livro dos Espíritos, pergunta Allan Kardec: “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?” obtendo como resposta das entidades venerandas que o auxiliaram na codificação: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”. Importante atentarmos que ao mesmo tempo em que as entidades infelizes nos influenciam negativamente, as entidades nobres nos estimularão a termos pensamentos positivos, de alegria e equilíbrio, paz e harmonia, estando em nossa decisão a escolha das nossas companhias espirituais.
Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, no capítulo 23, fará um detalhado estudo sobre esta temática importantíssima, apresentando as gradações das obsessões, suas causas, conseqüências, profilaxia e cura.

    6 - O que é reencarnação?

R. Allan Kardec em nota à questão 171 de O Livro dos Espíritos afirma: “A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam”.
Ora, sendo Deus a soberana justiça, amor, equidade e bondade, somente a reencarnação poderá equacionar múltiplas indagações, como por exemplo:
- Por que uns nascem perfeitos organicamente enquanto outros nascem com idiotia, hidrocefalia, cardiopatias variadas, paraplegia, sofrendo dores cruéis e atrozes?
- Por que Deus condenaria um filho ao suplício eterno, por um ato equivocado de momento, sendo que nós mesmos, indivíduos imperfeitos perdoamos as falhas de nossos rebentos?
- Como explicar o caso de crianças que, em tenra idade, filhas de pais analfabetos, revelam excepcional conhecimento de várias línguas, sem nunca ter estudado-as anteriormente? Ou mestria na execução de acordes, de variados instrumentos, sem nunca terem antes prévio contato com os mesmos? Ou ainda, que demonstram extrema facilidade na resolução de difíceis cálculos, de memória, que somente professores e estudiosos da matemática solucionariam?
A reencarnação a todas estas indagações e a muitas outras explica, ligando uma existência à outra, como continuidade, tendo como reflexo a Lei de Causa e Efeito, dando a cada um conforme suas obras, oferecendo a colheita de acordo com a sementeira efetuada. É o único caminho para a evolução do ser a fim de que o mesmo atinja a perfeição, o que seria impossível numa única existência terrestre, por mais profícua e longa que fosse.

    7 - Os Espíritos podem reencarnar em corpos de animais?

R. Não, o espírito nunca regride em sua evolução. Poderá estacionar na sua marcha evolutiva,  caso seja rebelde ou não se esforce para seu progresso intecto-moral, mas nunca irá retroagir em seu estado como espírito, como propõe a doutrina da metempsicose, acreditando que ele pode reencarnar como um animal.

    8 - É recomendável a regressão de memória? Por que não nos lembramos das vidas anteriores?

R. Não. Se as leis perfeitas e naturais de Deus nos fazem esquecer o passado a fim de vivermos o presente da atual existência física, não poderemos sem risco ao nosso equilíbrio, penetrar em fatos das nossas vidas pretéritas, muitas vezes dolorosos e amargos. De forma natural, entretanto, somos levados a algumas recordações de situações, lugares, pessoas e experiências de outrora, que como “insights” surgem em nossa mente e até nos surpreendemos com a certeza de já ter visto ou vivido aquele acontecimento.
O esquecimento do passado consiste numa benção, pois não teríamos serenidade hoje, conhecendo as delinqüências do nosso ontem. Após a nossa desencarnação, aos poucos, conforme nossa evolução espiritual, vamos recordando as múltiplas facetas vividas, desde que estejamos preparados para esta incursão.

    9 - O que é mediunidade?

R. Mediunidade é uma faculdade natural, baseada numa certa predisposição orgânica, que permite ao indivíduo ter a sensibilidade a ponto de perceber e se relacionar com o mundo espiritual. Aquele que possui esta percepção é chamado de médium, ou seja, pessoa que pode servir de intermediário entre os espíritos e os homens.

    10 - A mediunidade pode causar loucura?

R. Responde Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, segunda parte, capítulo 18: “Não mais do que todas as outras coisas, quando não há predisposição pela fraqueza do cérebro. A mediunidade não produzirá a loucura quando o princípio não exista...”.

    11 - Como os espíritos se comunicam? Eles entram no corpo do médium?

R. De acordo com os espíritos Erasto e Timóteo, no Capítulo XIX de “O Livro dos Médiuns”, “de fato, nós (espíritos desencarnados) nos comunicamos com os Espíritos encarnados dos médiuns da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tão-só pela irradiação do nosso pensamento”. Ou seja, no momento de uma comunicação, quer por meio da psicografia (escrita), quer pela psicofonia (falada), ou por outros meios, o Espírito aproxima-se do médium, e continua a irradiar seu pensamento – idéias, vontades, sensações do momento, tais como frio, calor, fome, medo, bem estar, saudade etc. O Espírito do médium encarnado, contando com uma sensibilidade natural, é capaz de “captar” todas essas impressões, sentindo-as e traduzindo-as para formas materiais, às quais sua mediunidade esteja melhor adaptada (escrita, fala, desenho etc.).
Assim, não se apresenta uma verdadeira “incorporação” – termo que se tornou usual a partir das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, na primeira metade do século passado. O Espírito não entra no corpo do médium, nem assume seu domínio. Aliás, isso seria impossível, já que, segundo Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, pergunta 473, “um Espírito não pode substituir o que está encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o fim da existência material”.

    12 - Podemos desenvolver a mediunidade?

R. É bem possível que queiramos ser médiuns, mas isso é tão natural quanto ter olhos azuis ou pele morena. Não podemos “desenvolver”, ou seja, fazer nascer em nós, uma mediunidade. Se formos de fato portadores dessa faculdade, por sinais inequívocos, diríamos que, antes de desenvolver a mediunidade, devemos nos equilibrar e harmonizar interiormente, para bem exercer as possibilidades asseguradas pela faculdade mediúnica. Para isso, seria recomendável que o interessado nas lides mediúnicas passasse a um estudo constante e consciente de todas as obras da doutrina espírita, para que não apenas tome contato com o Evangelho e as propostas do Cristo, como também se conscientizasse de seus deveres e obrigações de todo aquele portador de faculdade mediúnica. Se algum tipo de mediunidade se manifestar, de forma natural, no curso desse aprendizado, o médium poderia passar a participar, pouco a pouco, de atividades especialmente preparadas para o fim do contato mais íntimo com o plano espiritual.
Em outras palavras – podemos dizer que todos podemos antes “educar nossa mediunidade”, em vez de “desenvolvê-la”, deixando que surja naturalmente, e praticando-a com equilíbrio e serenidade.

    13 - O que diz o Espiritismo sobre Jesus?

R. De acordo com a questão 625 de “O Livro dos Espíritos”, Jesus é “o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo. (...) O exemplo da perfeição moral a que pode pretender a humanidade na Terra. Deus nos oferece Jesus como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque era o próprio Espírito Divino e foi o ser mais puro que apareceu na Terra”.
Assim, Jesus, de acordo com a Doutrina Espírita, não pode ser Deus, já que este é um ser imaterial por excelência; Deus também não poderia se dividir, já que é uno. Mas Jesus é certamente exemplo de Espírito que já alcançou o Estado de Espírito Puro ou Perfeito, sendo doravante o mais adiantado, dentre aqueles que já caminharam sobre a Terra. Nessa medida, o Espiritismo retoma os ensinamentos de Jesus, removendo os equívocos que a eles se misturaram por ação dos homens, e dando-lhe plena aplicação. Cumpre assim a promessa que o próprio Cristo fez, representando o Consolador Prometido, aquele que viria esclarecer todas as coisas. É por isso que o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, é o Cristianismo redivivo, trazido para o nosso tempo, aplicado à nossa realidade, responsável por reviver a figura amorosa de Jesus, como figura indispensável ao nosso adiantamento e evolução enquanto espíritos imortais.

    14 - O Espiritismo tem entre seus princípios a crença em Deus?

R. Sim. Allan Kardec, o ínclito codificador do Espiritismo, pergunta na questão de número 1 de O Livro dos Espíritos: “O que é Deus?”, ao que os espíritos guias da humanidade respondem que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Embora a nossa pequenez, que impossibilita o entendimento da grandeza de Deus, a Doutrina Espírita O apresenta não mais com uma forma corporal, via de regra representado como um homem idoso, de barbas brancas, mas sim como sendo a Inteligência em grau máximo, necessariamente único, imaterial, eterno, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Para termos a certeza da existência da Deus, basta nos recordarmos de um axioma que utilizamos: não há efeito sem causa. Basta analisarmos em a natureza tudo aquilo que não é obra do homem e necessariamente identificaremos o trabalho do Criador, já que pela obra se reconhece o artífice. As leis universais, o equilíbrio do ecossistema, as maravilhas do macrocosmo e do microcosmo não podem ser consideradas como obra do acaso, pois, em verdade, o acaso é a obra de Deus que Ele não quis assinar e anotou apenas o seu pseudônimo.

    15 - Por que existem tantas aflições em nosso mundo?

R. Por que ainda habitamos um mundo de provas e expiações, onde impera o orgulho, o egoísmo, a ambição desenfreada, a vaidade e tantos outros males e vícios morais. Pela lei de causa e efeito, acabamos por receber conforme nossas obras e, como a nossa sementeira é de perturbação, natural que a colheita seja de lágrimas. Quando nos conscientizarmos de que somente pelo amor é que atingiremos a verdadeira felicidade, as dores e aflições serão substituídas pelo equilíbrio e pela harmonia, pela saúde e pelo bem estar.

    16 - Qual é a visão Espírita sobre a morte?

R. A visão espírita é de que a vida não se acaba com a morte. De acordo com a pergunta 68 de O Livro dos Espíritos, a morte é o resultado do esgotamento dos órgãos, sendo um processo natural do corpo biológico. Como uma máquina, ao longo do tempo o corpo físico sofre alterações, desgastes, que acabam por danificá-lo de tal forma, que o mesmo torna-se um empecilho para as atividades do espírito. Como por fatalidade o espírito humano é perfectível, o mesmo abandona o corpo para continuar sua jornada evolutiva. Temos uma única vida, com várias existências corporais, necessárias para o nosso aperfeiçoamento intecto-moral.
O Espiritismo também nos demonstra, através da mediunidade, que a morte não provoca alterações significativas ao indivíduo, não o transformando em virtuoso ou imoral, pelo simples fato de ter retornado à espiritualidade, mas sim que continua sendo a mesma pessoa, com qualidades e defeitos que o caracterizava quando estava encarnado.
Importante ainda salientar que, quanto maior a moral do indivíduo e sua busca pelos valores espirituais, tendo como alicerce a caridade ao próximo seguindo os ensinamentos de Jesus, maior será a sua facilidade no momento do desenlace do corpo físico, bem como a sua adaptação à pátria espiritual.

    17 - Onde vivem e o que fazem os Espíritos desencarnados?

R. Para responder a esta pergunta, é preciso que nos lembremos da conhecida passagem de Jesus, em que ele nos afirma existirem “muitas moradas na casa de meu Pai”. Traduzindo com os conhecimentos adquiridos em virtude da Doutrina Espírita: há um número inimaginável de locais nos quais os Espíritos podem se encontrar, tanto na esfera espiritual da Terra, quanto em outros planetas habitados. Em linha geral, costumamos afirmar que os Espíritos que já se encontram fora do corpo estarão na “erraticidade”, ou no “plano espiritual”.
Esta “erraticidade” não tem nada de mágico; pelo contrário, pode e deve ser vista como uma cópia muito próxima da nossa própria vida na Terra. Nela encontraremos, em muitos locais, cidades espirituais, com organização e disposição muito próximas daquelas existentes na Terra, tal como descreve o Espírito André Luiz, no livro  “Nosso Lar”, psicografia de Francisco Cândido Xavier; nestes locais, há Hospitais, para atender especialmente àqueles que acabaram de sair da carne; Escolas, para estudos dos mais diversos temas ligados à evolução do espírito; locais de prece e moradia, e uma infinitude de estruturas, as quais ainda não somos capazes de compreender em toda sua extensão. Por outro lado, encontraremos na “erraticidade” também locais onde se concentram Espíritos em condição desequilibrada ou infeliz – aquilo que, com as obras do já citado Espírito André Luiz, ficou conhecido como “Umbral” (palavra que significa portal, limiar, entrada, começo, extremidade inicial). Estando em uma ou outra condição, porém, o espírito estará sempre “de passagem”, já que seu destino é a evolução e, para isso, precisará reencarnar, servindo tal período na espiritualidade para preparação para tal mister.
Estar em uma ou outra dessas condições, de maneira sempre passageira, vai depender de sua condição mental. Os espíritos são regidos por uma lei de atração de pensamentos, de tal sorte que aqueles que têm o mesmo padrão de idéias, pensamentos, anseios etc., naturalmente acabam se atraindo. Por isso, ao contrário da crença natural, não há mecanismos especiais que nos levem ao “céu” ou ao “inferno”. Estes locais são construídos em nossa mente, pela nossa ação e nosso padrão de pensamentos. No pós-desencarne, não há uma transformação, nem uma viagem. Só se desvela o espírito, com toda sua carga de sentimentos e emoções naturais.
Tampouco é válida a idéia de que, após a morte, o espírito mantém-se em eterna adoração, ou em sofrimento infinito. Os espíritos mantêm-se ativos, relacionam-se mutuamente, em ondas de amor ou inimizade; alimentam atividades próprias, também, adequadas aos seus interesses e às suas possibilidades, diante do equilíbrio e da evolução que já demonstrem ter adquirido. Muitos acompanham-nos e auxiliam-nos em nossas atividades diárias; outros, ocupam-se dos tratamentos oferecidos aos que desencarnaram a pouco tempo, nas mais diversas situações; outros, estarão dedicados ao estudo e desenvolvimento de idéias a serem transladadas mais tarde para a Terra, e assim por diante. O fenômeno da comunicabilidade dos Espíritos, traduzido na psicografia de abnegados médiuns, com que fomos brindados, nos permitiu conhecer uma série de realidades e atividades promovidas pelas mais diversas categorias de Espíritos. Para isso, recomendamos o estudo de tais obras.

    18 - O que acontece com quem se suicida?

R. Ao desencarnarem, aqueles que se suicidaram encontram uma série de dificuldades muito próprias da forma pela qual atravessaram o portal da morte. Assim, alguns permanecerão ligados fluidicamente ao corpo, na medida em que este, cheio de vitalidade, carregará ainda fluidos intensos a conectarem-no ao perispírito; como conseqüência, sentirão todas as impressões relacionadas ao que acontece ao corpo no pós-morte. Outros, imediatamente são levados para regiões nas quais concentram-se, por afinidade, entidades que buscaram o mesmo tipo de desencarne, normalmente envolvidas em ondas de remorsos e arrependimento doentio, sofrendo todo tipo de padecimento moral. Essas regiões, desde a publicação de “Memórias de Um Suicida”, (Camilo Cândido Botelho, por Yvonne do Amaral Pereira), passaram a ser conhecidas como “Vale dos Suicidas”.
Após passarem por estes intensos sofrimentos, decorrentes de sua rebeldia quanto às leis da vida, muito provavelmente reencarnarão com uma série de dificuldades  relacionadas à violência que cometeram contra si próprios, inclusive malformações físicas. Posteriormente, quando já tiverem expiado o crime que praticaram contra si próprios, reencarnarão novamente, para tentar cumprir a mesma prova a que fugiram, quando buscaram o suicídio.

    19 - Espiritismo é o mesmo que Umbanda ou Candomblé?

R. Não. Umbanda, Candomblé, Catimbó e outras crenças nada têm a ver com o Espiritismo, por mais que sejam filosofias ou religiões dignas de nosso maior respeito, pelo muito bem que podem proporcionar a seus praticantes, tendo em comum com o espiritismo somente o fato de serem “espiritualistas” – ou seja, acreditarem na existência das almas ou dos espíritos.
Somente é “Espiritismo a doutrina trazida pelos Espíritos Superiores e codificada por Allan Kardec no século XIX. Logo, somente pode ser chamado de “Centro Espírita” a casa que se dedique à prática fiel desta doutrina.

    20 - O Espiritismo tem rituais ou sacerdotes?

R. O Espiritismo não tem nem sacerdotes, nem rituais de nenhum tipo. Num Centro Espírita direcionado pela orientação de Kardec, não encontraremos velas, imagens, santos, defumadores, incensos, vestimentas especiais, nem nada que denote, de forma externa, a fé. Isso porque, de acordo com o que lemos nas questões 653 e 654 de “O Livro dos Espíritos”, “a adoração verdadeira é do coração”... “Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes”. Ou, como diria o Cristo, “Se tens algo contra o teu semelhante, deixa tua oferenda no altar e vai primeiro reconciliar-se com ele e, depois, traz tua oferenda ao altar”.
Ou seja, de acordo com as instruções dos Espíritos Superiores, Deus olha antes a intenção que a forma, o que fica em acordo com a visão de um Deus que é a suprema perfeição, e absolutamente imaterial. Daí a desnecessidade de rituais ou sacerdotes.

    21 - Nas instituições espíritas há algum tipo de pagamento?

R. A doutrina espírita guia-se inteiramente pela máxima do Cristo, “dai de graça o que de graça recebeste”. Nas palestras, nos passes e demais atividades mediúnicas, bem como em todos e quaisquer atos relacionados à parte prática e de estudos doutrinários, não há a cobrança de quaisquer valores. Eventualmente, algumas casas espíritas, com o fim de sustentar-se no que diz respeito às suas necessidades materiais, procedem à venda de livros e outros bens materiais em bazares, almoços, encontros e ocasiões parecidas, além de instituir a cobrança de mensalidades para os membros que desejarem se associar ao Centro, participando mais ativamente de sua administração. Nenhum freqüentador das casas espíritas, porém, é obrigado a participar de tais ações, ou a se filiar a nenhuma casa. Quem quiser ser espírita, pode comparecer aos centros, assistir às palestras e participar dos passes, se desejar, sem que tenha que desembolsar nada por isso.

    22 - A Eutanásia não é um gesto de caridade para com o ser amado que sofre?

R. Não. A eutanásia, palavra que quer dizer “boa morte”, implica na cessação artificial da vida humana, na teoria, com o propósito de encerrar um sofrimento. Todavia, a doutrina espírita vem nos mostrar, por um lado, que a vida não se encerra com a existência material; pelo contrário, que a verdadeira vida é a vida espiritual e, portanto, com o encerramento das atividades orgânicas, nosso espírito se liberta do jugo da carne e retorna à Pátria espiritual. Por outro, o espiritismo também demonstra que o momento da morte é importantíssimo para a alma que se liberta.

    23 - O que é o livre arbítrio?

R. A doutrina aposta do livre-arbítrio declara a vontade humana livre para tomar decisões e determinar suas ações diante das situações da vida. Diante de várias opções oferecidas por uma situação real, o homem poderia escolher uma racionalmente e agir livremente de acordo com a escolha feita (ou não agir se o quisesse). Exige, portanto, capacidade de discernir e liberdade interior.
A doutrina do livre-arbítrio é fundamental para entender as demais leis que regem a existência do homem, tais como as leis de ação e reação, da destinação do homem ao desencarnar e da reencarnação.

    24 - Existe fatalidade em nossas vidas?

R. Preliminarmente precisamos definir fatalidade como aquilo que é inevitável, do que não se pode escapar. De acordo com a questão 853 de “O Livro dos Espíritos”, para nossa vida só haveria uma fatalidade, no que diz respeito à morte. Mas não devemos entender isso no sentido de haver um instante exato, um dia e uma hora marcados para morrer (a respeito, consultar a obra “Obreiros da Vida Eterna”, autoria do Espírito André Luiz, pelo médium Francisco Cândido Xavier, e questão 854 de “O Livro dos Espíritos”).
Há ainda, de acordo com os ensinamentos dos espíritos, a fatalidade de um dia atingirmos a perfeição, ou seja, um dia, após incontáveis reencarnações é certo que  alcançaremos o estado de espíritos puros. Durante este percurso, os caminhos que tomaremos até lá chegarmos dependerá das nossas decisões: quanto mais energia empregada no bem, mais rápida a chegada à esta condição espiritual.
Nós somos artífices de nossos próprios destinos e possuímos toda a responsabilidade pelas conseqüências de tal liberdade de ação. Da mesma forma que os desafios que vivenciamos hoje são reflexos do ontem, o sermos felizes ou infelizes amanhã dependerá exclusivamente de como agimos agora.

    25 - O Espiritismo é contrário ao aborto?

R. O espiritismo defende a existência da reencarnação, ou seja, que cada nascimento representa o retorno de uma alma à Terra com o propósito de seguir com seu caminho evolutivo, por meio das provas, expiações e aprendizados a que estará sujeito no decorrer de sua vida terrena. Por outro lado, o espiritismo também comprovou que não existe uma única reencarnação que aconteça por acaso. Todas passam por um planejamento prévio, em que são definidas as linhas gerais da existência (onde o espírito vai renascer, em companhia de quais outros espíritos já reencarnados ou por reencarnar, em qual condição social etc.), linhas gerais que serão importantes para o amadurecimento e aperfeiçoamento daquele ser. Este planejamento sempre se dá com o amparo de entidades com grau superior de evolução, com o consentimento dos pais e, às vezes, de outras pessoas envolvidas, podendo ou não contar com a participação direta do próprio reencarnante.
Dentro desse quadro, abortar significa fugir a um planejamento pré-estabelecido e impedir que um ser retorne ao mundo físico para o atendimento de suas necessidades de evolução. Significa, para os pais que por ele optam, desistir de compromissos que firmaram na espiritualidade, para o reajustamento e o entendimento recíproco, no mais das vezes. Por representar, assim, um ato que fere as leis de Deus, o espiritismo defende que não se promova o aborto, salvo em circunstâncias específicas, quando a vida da própria mãe estiver ameaçada, já que é melhor sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe (O Livro dos Espíritos, questão 359).

    26 - Qual a importância da prática do Evangelho no Lar?

R. O Evangelho no Lar é um encontro promovido, periodicamente (normalmente num dia da semana em horário pré-determinado), entre aqueles que convivem no mesmo lar (ou entre amigos próximos) com o objetivo de leitura e estudo do Evangelho, ou de obras que o comentem e complementem, e da reflexão sobre os textos lidos. Pode-se, por exemplo, ler um trecho das obras básicas da doutrina espírita, tais como “O Evangelho Segundo o Espiritismo” ou o “O Livro dos Espíritos”, ambos de Allan Kardec; pode-se também estudar obras como “O Consolador”, “Fonte Viva” e “Caminho, Verdade e Vida”, do Espírito Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier), e outras similares. Feita a leitura, e um diálogo com reflexão sobre o trecho lido, segue-se uma prece, por qualquer dos participantes, e, alternativamente, a rogativa à espiritualidade de fluidificação de copos de água que podem, para este fim, serem deixados próximos, para consumo posterior.
Com essa prática simples, os praticantes rapidamente notarão uma série de benefícios diretos e indiretos em seu próprio dia a dia. Primeiro, o “Evangelho no Lar” torna-se oportunidade de diálogo fraterno e sincero entre familiares, sobre temas de relevância para nossa vida cotidiana, melhorando assim o ambiente e o entendimento entre os familiares. Segundo, as energias da prece sincera, bem como o diálogo sobre temas da espiritualidade, por uma lei de afinidade natural, acaba “atraindo” para o ambiente do lar, fluidos e energias benéficos, que permanecem na atmosfera espiritual da casa, dando-lhe retaguarda espiritual, além de transformá-la num verdadeiro ponto de luz, do qual a espiritualidade pode até mesmo utilizar-se para o socorro e o atendimento fraternos. Além disso, permite que se exerça a fluidoterapia, ou seja, o tratamento adjetivo de doenças e dificuldades de diversas ordens, por meio da ingestão da água fluidificada, o que será sempre feito pela espiritualidade, com nossa participação por meio da prece sincera.

voltar


Viagem Espírita 2006 - Todos os direitos reservados