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1- Ao receber a mensagem do
Além, para os seus livros,
você fica consciente do que
escreve ou só se reconhece
ao terminar?
R- A obtenção de um livro
mediúnico é trabalho árduo,
que mobiliza todas as forças
mentais e psíquicas do
médium a serviço do agente
comunicante, pois, é
transmissão de pensamento a
pensamento. nem todos os
médiuns têm as mesmas
características para a
recepção desse gênero de
trabalho. No que me diz
respeito, sofro transe
pronunciando, embora, não
completo. Tenho consciência
de mim mesma, mas qualquer
rumor exterior me poderá
perturbar. Por essa razão só
escrevo altas horas da
noite. Vou lendo o que
escrevo como se se tratasse
de um folhetim que me
apresentassem. O impulso do
braço e atordoamento é
ligeiro sem ser veloz. Às
vezes, ouço o murmúrio do
ditado como se se tratasse
de um folhetim que me
apresentassem. o impulso do
braço é ligeiro sem ser
veloz. Às vezes, ouço o
murmúrio do ditado como se o
Espírito comunicante falasse
aos meus ouvidos, o que
facilita a recepção. Se a
obra é de difícil captação,
como Memórias de um Suicida
e Nas Voragens do Pecado, o
impulso vibratório do braço
é menos rápido. Perco a
noção do que me rodeia, mas
não de mim mesma; somente me
apercebo da tarefa que
executo, por isso necessito
de silêncio e tranqüilidade.
Às vezes, vejo as cenas que
estou descrevendo, mas só me
inteiro do conteúdo da obra,
verdadeiramente, depois da
sua publicação.
2- Quantas obras á publicou
e quais os seus autores?
R – Publicados tenho apenas
onze mas possuo várias
outras inéditas, esperando
oportunidade para virem a
lume. Os autores são os
espíritos de Adolfo Bezerra
de Menezes, Camilo Castelo
Branco, Charles, cujo
sobrenome ainda desconheço,
e Léon Tolstói. Nessas onze
obras estão incluídas as
duas constantes do volume
Nas Telas do Infinito e as
duas constantes do volume
Dramas da Obsessão.
3- Como e quando começou a
psicografar?
R- Aos doze anos de idade já
eu escrevia impulsionada
pelos Espíritos, sem
contudo, ter verdadeira
noção do fenômeno. Sou
criada em ambiente espírita
desde o berço e por isso o
fato nunca me impressionou.
Sentia indomável impulso no
braço e atordoamento, sem no
entanto, se verificar o
transe, e isso fora mesmo de
sessões práticas. Desejava
parar de escrever e não
conseguia. o fenômeno parece
que se processava pela
psicografia mecânica. E via
o Espírito comunicante, que
se nomeava Roberto,
afirmando ter vivido na
Espanha, pelo século XIX.
Nunca procurei desenvolver a
mediunidade ou a provoquei.
Apresentou-se-me,ela ,
naturalmente, desde a
infância. Apenas procurei
imprimir-lhe o rumo
conveniente, educando-me na
moral evangélica e nas
disciplinas recomendadas
pela Doutrina Espírita. E
comecei a psicografar livros
ainda em minha juventude,
recebendo o primeiro convite
ao trabalho e as necessárias
instruções do Espírito
Camilo Castelo Branco, que
desde minha infância se
revelou um grande amigo
espiritual. Qualquer
entidade que conceda uma
obra psicográfica convida o
médium (não ordena) e
fornece instruções. Sem esse
convite será difícil senão
impossível, conseguir-se
alguma coisa autêntica. Pelo
menos é o que acontece
comigo.
4- Possui apenas o dom da
psicografia ou faz alguma
outra coisa dentro do
Espiritismo?
R- Possuo vários outros dons
mediúnicos, inclusive o de
cura, os quais pus a serviço
da Doutrina Espírita e do
próximo desde a minha
juventude. De tudo já
realizei um pouco,como
médium e como espírita.
Atualmente, porém, como
médium, limito-me à
psicografia, à oratória, à
colaboração na imprensa
espírita, ao Esperanto, à
correspondência doutrinária
e a um pouco de assistência
doutrinária e a um pouco de
assistência social nos meios
espíritas. Possuo também a
faculdade de efeitos físicos
(materializações),mas, não
me interessando por esse
gênero de trabalho espírita
não a utilizo.
5- Que pretende para a vida
espiritual? Ou já se afinou
com ela?
R – Nenhum de nós poderá
fazer projetos para a vida
espiritual. Nosso futuro em
Além Túmulo depende das
ações praticadas durante a
vida terrena, ou seja, dos
méritos ou deméritos
adquiridos neste mundo. Nada
posso pretender, portanto,
da outra vida. Cabe-me
apenas esperar pela justiça
e a misericórdia de Deus.
Não resta dúvida, porém, de
que vivo mais da vida
espiritual do que da
material, há muitos anos.
6- A psicologia e a
Parapsicologia podem
explicar cientificamente os
fenômenos de psicografia?
R- Não, porque
propositadamente, os
investigadores contrários à
tese espírita não querem
explicá-los, assim como
nenhum outro fenômeno
espírita.
Fecham os olhos para não
ver, tudo atribuindo ao
inconsciente, quando o
“maior livro de
Parapsicologia escrito até
agora é “O Livro dos
Médiuns”, de Allan kardec,
tal a declaração de um
erudito espírita brasileiro.
O fenômeno da psicografia é
mediúnico, carecendo sempre
de um agente espiritual
independente do médium. Não
havendo esse agente, isto é,
o Espírito comunicante,
deixará de haver
psicografia. O mais que os
senhores parapsicólogos têm
feito é apontar fenômenos de
animismo aliá-los aos
fenômenos mediúnicos, ou
seja, fenômenos produzidos
pelo Espírito do próprio
médium e não por um espírito
desencarnado; nesta última
hipótese a Parapsicologia
para, quando devia continuar
.
Os espíritas foram os
primeiros a observar os
fenômenos produzidos pelo
animismo e nunca se sentiram
diminuídos por eles.
Trata-se de fenômenos
belíssimos, de grande valor,
provando não só a existência
da alma e suas poderosas
forças, mas ainda a vontade
soberana dela, sua
independência e lucidez fora
dos limites corporais, sua
ação, seu poder particular
conferido pela Natureza.
Essa questão vem sendo
esclarecida desde os
primórdios do Espiritismo os
ilustres pesquisadores e
sábios psiquiatras europeus
e norte-americanos, e também
por vários observadores
brasileiros.
Qualquer espírita, ainda que
pouco versado em matéria de
mediunidade, e desde que não
deixe cegar pelo fanatismo,
poderá realmente distinguir
o fenômeno espírita do
fenômeno puramente anímico,
porquanto êles são
absolutamente diferentes. A
Parapsicologia, pois não
explica a psicografia, como
não explicar nenhum outro
fenômeno espírita de que
participe o espírito
desencarnado, visto que
prefere encobri-los.
7- O psicógrafo interfere na
qualidade literária da
mensagem?
R- Até certo ponto, sim. Se,
na vida prática e em sua
vida mental, ele age de
forma a só atrair bons
Espíritos, necessariamente
as comunicações recebidas
serão de excelente qualidade
. Se se afinar, porém, com
Espíritos ignorantes,
medíocres, frívolos ou
mistificadores, as mensagens
recebidas (escritas ou
verbais) serão suspeitas ou
de má qualidade. Esse, um
ponto doutrinário dos mais
conhecidos e debatidos. Se o
médium possuir cabedal
intelectual também influirá,
de certo modo, porque o
agente comunicamente
encontrará facilidade em
usar esse material e a obra
sairá mais completa. Mas há
médiuns iletrados, sem serem
analfabetos, que produzem
obras literárias de imenso
valor.
O médium norte-americano
Andrew Jackson Davis, por
exemplo, obteve várias obras
literárias importantes,
entre outras a Grand Harmony,
que maravilhou o mundo; e o
médium Thomas P. James,
também norte-americano, um
simples mecânico
impulsionado pelo Espírito
do escritor inglês Charles
Dickens, terminou o romance
O Mistério de Edwin Drood
que o autor deixava a meio,
ao falecer. E de tal forma o
conseguiu que não foi
possível determinar o ponto
em que termina a obra do
escritor e começa a ação do
médium. Outros psicógrafos
existiram, como o português
Fernando de Lacerda, que
escrevia mediunicamente, em
prosa e em verso,
conversando com amigos, com
as mãos, acionado pelos
escritores clássicos de
Portugal. Às vezes, Fernando
de Lacerda despachava com a
mão direita papéis da
repartição em que
trabalhava, enquanto
psicografava com a esquerda
páginas de Alexandre
Herculano, Eça de Queirós,
Camilo, etc. O mesmo sucedia
ao médium brasileiro Carlos
Mirabelli, de S.Paulo, que
psicografava com as duas
mãos, também conversando,
teses científicas ou
filosóficas, em línguas
diferentes umas das outras.
E apenas cito esses, que,
certamente, não
interferiram, de forma
alguma, na qualidade ou na
ação da psicografia. Médiuns
desse tipo são, porém, muito
raros. O mais comum é haver
influência do médium,
sobretudo quando ele não
observa uma disciplina
rigorosa e não se empenha em
bem compreender a
mediunidade, a fim de
exercê-la criteriosamente. O
médium muito
intelectualizado, por sua
vez, mantendo idéias e
opiniões muito pessoais, e
preconceitos às vezes
inveterados, poderá influir
bastante, alterando o
pensamento da entidade
comunicante, produzindo o a
que denominamos “enxerto”.
Os Espíritos elevados, que
já se manifestam com obras
de responsabilidade,
preparam os seus médiuns
longamente , por vezes desde
a infância, a fim de evitar
tais ocorrências. De
qualquer forma, o Espírito
comunicante utiliza o
cabedal fornecido pelo
médium. Poderá este
psicografar assuntos muito
superiores à sua capacidade,
mas sempre existirão certas
expressões particularmente
suas, naquilo que produz. De
outro modo, a qualidade da
mensagem não depende apenas
do médium, mas também do
Espírito que a fornece e até
do ambiente em que exerça a
sua faculdade.
É trabalho penoso para
ambos, e assunto complexo. O
melhor meio de a palavra dos
Espíritos chegar pura e de
boa qualidade é procurar o
médium moralizar-se,
elevar-se espiritualmente,
fazer-se humilde ,
reconhecer as próprias
fraquezas e jamais se
considerar excelente ou
indispensável, além do dever
de exercer o bem de toda
parte. Eis como o médium
poderá influir nas mensagens
que recebe.
8- Pode descrever um pouco
do estado de espírito da
pessoa no momento de
psicografar?
R- Quase que de regra, esse
fenômeno se verifica tão
inesperadamente que o médium
se surpreende a aturde,
mormente se o fato vem
espontaneamente, sem o
preparo prévio das sessões
de experimentação mediúnica.
Se se trata, porém, de
psicografia já educada, com
o médium responsável, ou da
obtenção de um livro, por
exemplo, quando já o médium
recebeu as devidas
instruções de seu Guia
Espiritual; se se trata de
um receituário, um conselho
a particulares, etc., esse
estado (em mim, pelo menos)
é de expectativa, de emoção,
de profundo respeito e até
de religioso temor, se assim
me posso expressar. Às
vezes, certa inquietação
sobrevém, pois que, já
empunhado o lápis, com a mão
apoiada sobre o papel, o
médium não tem a mínima
idéia do que escreverá.
Revista Internacional de
Espiritismo - Nº 02 -
Maio/1972 |