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O que é a morte para o
Espiritismo? Qual o seu
significado? O que é morrer?
Divaldo
Franco responde a todas
estas questões. Confira!!! (Paramirim,
23 de julho de 2004).
1) O que é a morte para
o Espiritismo? Qual o seu
significado? O que é morrer?
A Doutrina Espírita
considera a morte biológica
como sendo a interrupção do
fluxo vital que mantém os
órgãos físicos em
funcionamento. Quando ocorre
a anóxia cerebral e,
conseqüentemente, a
paralisação do tronco
encefálico, dá-se o fenômeno
denominado morte.
Para o Espiritismo, a morte
da indumentária carnal,
serve para libertar o
Espírito temporariamente aí
encarcerado, a fim de que
prossiga no processo de
evolução, no rumo da
plenitude ou Reino dos Céus.
Morrer, desse modo, é
encerrar o ciclo biológico,
facultando o prosseguimento
da vida do Espírito em
outros campos vibratórios,
além da dimensão física.
2) Qual a postura de um
espírita diante da
proximidade da morte, como
no caso de um paciente
terminal – enquanto Entidade
e enquanto paciente?
Considerando a morte como o
término de uma etapa do
longo processo da vida, o
espírita, embora os
sentimentos de ternura, de
carinho e de amor por alguém
que se encontra em fase
terminal, não lamenta a
situação, nem se rebela com
a sua ocorrência, tendo em
vista que a tem como
acontecimento natural do
desgaste orgânico.
Nada obstante, procura
contribuir para melhorar a
qualidade de vida do
paciente,
proporcionando-lhe, quando
possível, os recursos da
Ciência e da Tecnologia,
jamais admitindo a
possibilidade de, em nome da
compaixão ou da caridade,
seja-lhe aplicada a
eutanásia.
Na condição de Entidade
imortal, são-lhe oferecidos
conforto moral e esperança,
de modo que evite o
desequilíbrio, às vezes,
comum, em situações dessa
natureza.
3) Qual o papel da fé nesse
momento?
A fé desempenha, nesse
momento, um papel relevante,
porque oferece a convicção
de que, cessados os
fenômenos pertinentes à
matéria, o Espírito
liberta-se, feliz, após
haver cumprido os seus
deveres em relação a si
mesmo, ao seu próximo e a
Deus.
4) Durante o tratamento, o
que é mais importante – ter
mais qualidade de vida ou
tentar todas as
possibilidades de terapia?
Tendo-se em vista a
inevitabilidade do fenômeno
morte, oferecer melhor
qualidade de vida ao
paciente, acredito, deve ser
a meta prioritária que todos
devemos atender, sem
qualquer descuido pela
aplicação das terapias que
possam reverter o quadro
assustador. Aliás, a
utilização das terapêuticas
modernas, muito valiosas,
quando se dispõe de recursos
para a sua aplicação,
transformam-se também em
melhoria na qualidade de
vida do enfermo, mesmo que
não impeçam por definitivo a
ocorrência da morte.
5) Existe algum procedimento
de preparação para a morte,
como é a extrema-unção da
Igreja Católica? Um passe
talvez?
Em razão de não possuirmos
dogmas, cerimoniais ou
liturgias na Doutrina
Espírita, não temos nenhum
procedimento estabelecido
para a preparação de alguém
para a morte. Procuramos
conscientizá-lo da gravidade
do seu quadro orgânico,
elucidando que a morte (ou
desencarnação) é inevitável,
porque virá no momento
próprio, e, desse modo, é
válido preparar-se para a
sua ocorrência, mesmo que
não se dê nessa conjuntura.
Dialogamos com franqueza a
respeito do despertar no
Além-Túmulo, quando a
consciência adquire a sua
plena lucidez, sugerindo que
sejam tomadas desde então,
providências que evitem o
remorso, a culpa, a
amargura.
Simultaneamente lemos e
discutimos páginas de O
Evangelho Segundo o
Espiritismo, de Allan Kardec
ou de alguma das muitas
obras mediúnicas de
consolação e de esperança,
procurando revitalizar a fé
em torno da libertação
espiritual.
Normalmente aplicamos passes
em nossos pacientes,
terminais ou não.
6) Quando se é um paciente
terminal, é hora de fazer o
quê? Reunir amigos? Orar?
Preparar os parentes? É hora
de viver ou de se preparar
para a morte?
O ideal é viver-se com a
mente desperta para a
inevitável chegada da morte,
mesmo porque, não raro, no
momento grave, especialmente
quando se está paciente
terminal, o tempo urge, as
circunstâncias podem
apresentar-se adversas e o
campo emocional nem sempre
contribui para que seja
feito o mais importante, em
razão de muitos fatores,
inclusive resultado da
própria devastadora
enfermidade.
Apesar disso, é muito válido
iniciar-se a preparação para
a morte mediante a oração, a
entrega a Deus e a meditação
em torno da libertação dos
apegos a pessoas, objetos,
bens diversos e paixões
pessoais...
Sendo possível, pode-se
reunir pequenos grupos de
amigos para um encontro
fraternal otimista, sem
qualquer presença de
desespero ou de angústia, em
clima de bem-estar.
Sem dúvida, torna-se
necessária a preparação de
parentes e familiares, a fim
de que saibam comportar-se
diante da ocorrência que se
desenrola, considerando que
ali não termina a vida e que
o reencontro é inevitável,
após transcorrido o tempo
reservado a cada um
viandante carnal.
Essa é a hora segura de
preparação para a
continuação da vida após a
morte. O período de viver,
aquele que foi reservado,
deve ter sido utilizado
antes, não mais nesse
instante, quando já se
encerra o ciclo existencial.
7) Qual os procedimentos
mais valorizado: enterro,
cremação, doação do corpo?
Doam-se órgãos?
Graças ao avanço das
doutrinas médicas na
atualidade, a doação dos
órgãos para transplantes
salvadores de vidas
constitui-nos razão de
grande significado,
facultando-nos oferecer tudo
quanto em nosso corpo, após
a morte, possa contribuir em
favor da saúde e do
bem-estar do nosso próximo.
O enterro ou cremação do
cadáver para nós não é de
relevante importância, cada
um escolhendo o que lhe
pareça mais conveniente,
tendo em vista os recursos
financeiros em
disponibilidade para uma ou
outra opção.
Raramente tem ocorrido
doação de todo o corpo para
estudos científicos ou
equivalentes.
Embora respeitemos a maneira
de como dar destino ao
cadáver, sempre consideramos
que o velório deve ser
realizado com respeito pela
memória do desencarnado,
porquanto, por um período de
aproximadamente 72 horas
continua o desprendimento
total do Espírito,
desimantando-se da matéria.
Em casos excepcionais, essa
ocorrência prolonga-se por
um tempo maior...
8)
Há algum trabalho junto aos
hospitais ou órgãos de apoio
a pacientes terminais? O que
se faz?
Oficialmente, que eu saiba,
não existe qualquer trabalho
específico sobre a morte e o
morrer, junto aos hospitais
ou a outros órgãos.
Temos conhecimento de grupos
particulares, formados por
pessoas que visitam os
enfermos espontaneamente, em
especial os pacientes
terminais, oferecendo-lhes
lenitivo, esperança e
certeza da sobrevivência do
Espírito, e que assim
procedem quando solicitados
pelos enfermos ou seus
familiares.
Essas visitas, que hoje se
multiplicam em pequenos
grupos por todo o país,
constituem atividade de
apoio moral e espiritual,
com objetivo de diminuir as
aflições, preencher a
solidão, colaborar na ação
fraternal da caridade junto
aos enfermos e/ou seus
familiares. |