Contribuição do Espiritismo à Civilização - Suicídio e Aceitação da Reencarnação

Reportagem da entrevista concedida por Divaldo Franco ao canal de chat IRC-Espiritismo em 17 de março de 2000.

- Na divulgação do Espiritismo no mundo, o que o espírita deve levar como maior contribuição aos outros povos?

DIVALDO: O exemplo. A conduta é de relevante importância. Porquanto teorias belas, a Humanidade as tem em grande quantidade, mas nem sempre foram capazes de transformar os seus idealistas. O Espiritismo como doutrina é perfeito. O espírita, entretanto, para demonstrar essa excelência, deve viver de acordo com os postulados estabelecidos, demonstrando a outrem que não traz apenas uma idéia, mas um fato consumado em sua vivência, que transformou sua vida para melhor, tornando-o uma lâmpada acesa na noite da atualidade.

- Como apaziguar o coração neste final de milênio, diante de tantas aflições: a família que nos atormenta, as facilidades que nos seduzem e as muitas dificuldades no campo moral?

DIVALDO: Através do auto-conhecimento. Aquela questão 919 de "O Livro dos Espíritos": "Um sábio da Antigüidade já vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo". Se o indivíduo não realizar um mergulho em seu mundo íntimo, para superar as paixões, os adversários, e terminar por fruir de paz e plenitude, naturalmente perder-se-á no tumulto que o cerca. O Evangelho nos fala do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Este auto-amor é fundamental para compreender a família, para ter paciência. Não impor, expor; lecionar pelo exemplo e compreender que não poucas vezes a família é um desafio reencarnacionista. E estamos diante de uma proposta que devemos dignificar pelo exemplo. A paz somente nos virá quando realizarmos um auto-encontro para produzir o encontro com Jesus. Está no Evangelho: de que nos adianta conquistar todo o mundo e perder a alma? A nossa preocupação de transformar os outros, fazer os outros felizes, sem estar em paz, é muito respeitável mas é improfícua.

- Caro Divaldo, segundo algumas opiniões de estudiosos espíritas, baseados na questão de número 853, que trata da fatalidade, onde se lê: "(...) Nada existe de fatal, na verdadeira acepção do vocábulo, senão o instante da morte (...)", argumentam que no caso de um suicídio, o momento da morte haveria de chegar de qualquer forma. No entanto, o próprio Kardec refere-se a um "rompimento prematuro" dos laços perispirituais quando trata do suicídio em "O Céu e o Inferno" e no próprio "O Livro dos Espíritos". No caso de suicídio, o momento da morte determina uma fatalidade? A pessoa desencarnaria de qualquer forma, de uma maneira natural, naquele instante ou trata-se de uma abreviação voluntária da vida? Como entender essa aparente contradição?

DIVALDO: Allan Kardec tem razão, porquanto no ato do suicídio a morte tem o caráter biológico, sem que isso signifique a desencarnação. Já que o espírito fica vinculado aos despojos materiais por largo período até que o fluído vital que o deveria manter até o momento da morte natural irá diluindo-se tranqüilamente ao tempo que propicia ao espírito tormentos e dores inenarráveis. Eis porque a antecipação pelo suicídio não tem este caráter da fatalidade, nascer ou morrer, porque a pessoa optou por antecipar este momento num ato de rebeldia contra a vida.

- Muitos afirmam que a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados são idéias que serão completamente aceitas depois de uma grande e incontestável descoberta científica, de uma forma que nem os mais fanáticos detratores ou os mais ignorantes poderão argumentar. Outros pensam que as mudanças serão gradativas e a aceitação será natural, passando até quase que desapercebidas pelo crivo dos mais radicais. Qual a sua visão e a da Espiritualidade Maior sobre o tema?

DIVALDO: Os espíritos me têm dito que haverá reencarnações coletivas de espíritos nobres que irão significar agentes multiplicadores das verdades espirituais. Eles estarão na ciência, na tecnologia, no pensamento filosófico, na religião, portanto, facultando campo para o entendimento dos pilares da Doutrina Espirita que ainda sofrem resistências acadêmicas e comportamentais. Desse modo, a aceitação dos postulados da reencarnação, como da pluralidade dos mundos habitados se farão, naturalmente, pouco e pouco, de acordo com o desenvolvimento da consciência nos porvindouros dias da era nova.

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