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ÍNTEGRA DE ENTREVISTA DE
ALKÍNDAR DE OLIVEIRA NO
JORNAL “FOLHA ESPÍRITA”,
EDIÇÃO DE FEVEREIRO/2.005.
TEMA DA ENTREVISTA:
LIDERANÇA ESPÍRITA
Como está a atual liderança
espírita?
Muito melhor do que antes.
Ministro seminários
espíritas há aproximadamente
25 anos. E de três anos para
cá percebo uma mudança
surpreendente, positivamente
falando. Óbvio que existem
exceções. Óbvio que existem
ainda lideranças
inadequadas, mas de forma
geral os líderes atuais de
todas as idades estão mais
abertos às mudanças.
Parece-me que há uma
vibração
energética-espiritual no ar,
que está abrindo cabeças e
corações. É incrível como
coisas boas estão ocorrendo
na liderança espírita. Os
pensamentos estão mudando
muito. Para melhor. Há 25
anos, há 15 anos, há 10
anos, há 3 anos, eu não
faria essa afirmação. Mas,
repito, existem ainda as
exceções. Existem ainda
líderes que não se
atualizaram. Existem ainda
líderes que não sabem o que
é ser um líder.
O que é “ser um líder”?
Só a resposta a esta
pergunta daria um livro,
mas, de forma sucinta, hoje
o bom líder é aquele que
sabe formar equipes e tem
como meta primordial não
atrapalha-las. O líder que
não atrapalha seus liderados
merece o nome de líder.
O líder de antigamente era
aquele que ia à frente. O
líder de hoje é aquele que
vai atrás apoiando e
estimulando.
O líder de antigamente era
aquele que por si só fazia
acontecer. O líder de hoje é
aquele que forma equipes
para que essas equipes façam
acontecer.
O líder de antigamente
controlava pessoas. O líder
de hoje controla processos e
incentiva a liberdade e a
autonomia da equipe.
O líder de antigamente muito
se destacava. O líder de
hoje é aquele que estimula
sua equipe a se destacar,
pelos resultados obtidos.
O líder de antigamente tinha
subalternos. O líder de hoje
tem colaboradores.
O líder de antigamente
procurava converter seus
liderados, forçando-os a
pensarem e agirem como ele.
O líder de hoje procura
conscientizar seus
colaboradores para que sejam
eles próprios, com suas
maneiras únicas e
particulares de pensarem e
agirem.
O líder de antigamente era
aquele que liderava pela
imposição. O líder de hoje é
aquele que lidera pelo
afeto.
Liderar hoje é formar
equipes. Liderar hoje é
estimular os integrantes das
equipes. Liderar hoje é
treinar as equipes. Liderar
hoje é incentivar as equipes
a elaborarem estratégias e
projetos. Liderar hoje é
implantar o conceito de
Qualidade Total nas Casas
Espíritas (o que já está
fazendo, por exemplo, o
Grupo Espírita Batuíra, do
bairro Perdizes, São
Paulo-SP). Liderar hoje é
dar autonomia às equipes.
Disraeli com
uma única frase define bem o
que é um bom líder: “Lá vão
eles.
Devo seguí-los.
Sou seu
líder.”
O que levou a essa mudança
abrupta do estilo de
liderança de “antes” e
“agora”?
O mundo mudou. Os desafios
aumentaram. As necessidades
passaram a ser muitas. O
mundo passou a ser bem mais
complexo. As exigências
ampliaram-se.
Antes uma pessoa com pulso
firme fazia as coisas
acontecerem. Hoje não basta
mais o ainda e sempre
necessário pulso firme. Os
desafios são tantos que o
líder atual para conseguir
resultados precisa da ação
dos outros. Precisa formar
equipes. Acrescente-se a
isto o fato de que os
espíritos que hoje estão
nascendo são espíritos mais
inteligentes e exigentes,
não aceitam mais a liderança
imposta.
O que você entende por
“pulso firme”, isto é, o que
significa dizer que um líder
precisa ter “pulso firme”?
Primeiramente pulso firme
não é desrespeitar o
liderado, não é ser mal
educado, não é esmurrar a
mesa. Pulso firme significa
ser assertivo, ser
transparente, ser imparcial.
Pulso firme significa ainda
aplicar a máxima do Mestre
“seja o seu sim, sim, seja o
seu não, não”. Um líder que
não se define, não merece o
nome de líder.
Sabemos que existe o líder
nato, mas é possível
transformar em líder àquela
pessoa que aparentemente não
reúne nenhuma condição para
tal?
Sim, é possível. Desde que
ela queira.
É verdade que existem
pessoas que trazem de vidas
passadas a experiência da
liderança, e isto facilita o
seu desenvolvimento na
existência atual. Mas também
é verdade que, conscientes
de que a centelha divina
está presente em todos nós,
por conseqüência a
oportunidade de crescimento
e desenvolvimento existe
para todos. Como disse
Joanna de Ângelis “Todas as
qualidades necessárias para
o nosso desenvolvimento já
existem em nós, latentes”.
Nosso trabalho não é criar
qualidades, pois, reforço,
elas já existem. Latentes.
Nosso trabalho é
desenvolve-las. Para passar
a ser líder é preciso, com
firme vontade, querer ser
líder. E é preciso saber que
não se forma um bom líder
sem o tripé estudo,
determinação e humildade.
O seu livro O Espírita do
Século XXI, Editara EBM,
foca principalmente o
assunto liderança, qual foi
o seu propósito principal ao
escrever este seu livro?
O propósito principal foi
desenvolver quatro tópicos,
que os denominei de Projeto
ORAR. Essa denominação
deve-se ao fato das
primeiras letras de cada um
dos tópicos, formar a
palavra ORAR:
Ousadia na divulgação;
Respeito às demais
instituições;
Administração Eficaz;
Relacionamento Harmonioso.
Em relação aos tópicos
citados em sua resposta
acima, o que você pode nos
dizer sobre o tópico
“Ousadia na divulgação”?
Falta-nos ousadia. Nós
estamos falando para nós
mesmos. Esquecemos que o
Espiritismo veio para o
mundo. Kardec no seu Projeto
1.868, Obras Póstumas, prega
a necessidade de publicidade
(palavra utilizado por
Kardec) numa larga escala.
Precisamos quebrar as
paredes do nosso Centro
Espírita e alcançarmos toda
a comunidade à nossa volta.
É preciso ser ousado para
que essa publicidade numa
larga escala (palavras de
Kardec) se faça presente.
Ousado como foi Cairbar
Schutel que colocava o
jornal O CLARIM sobre os
bancos dos trens de
passageiros que passavam por
Matão-SP. Ousado como foi
Eurípedes Barsanulfo que
construiu no Estado mais
católico do Brasil, Minas
Gerais, um Colégio Espírita
que ousadamente (sob
orientação de Maria, Nossa
Senhora, Mãe de Jesus)
denominou-o Colégio ALLAN
KARDEC e, por ironia, esse
colégio foi edificado numa
cidade com o nome de
Sacramento! Ousadia também
presente em Bezerra de
Menezes, que no final do
século XIX escrevia uma
coluna espírita semanal no
jornal de maior circulação
do país.
Através da psicografia de
Divaldo Franco, o espírito
Marcelo Ribeiro, reforça a
necessidade da divulgação,
comentando que em relação ao
Espiritismo: “Não é lícito
impo-lo. Mas não é justo
deixar de divulgá-lo”.
Complementa o espírito
Vianna de Carvalho,
psicografia também de
Divaldo Franco, livro
Reflexões Espíritas: “Na
hora da Informática com os
seus valiosos recursos, o
espírita não se pode
marginalizar, sob pretexto
pueris, em que disfarça a
timidez, o desamor à causa
ou a indiferença pela sua
divulgação.”
É verdade que existem muitos
espíritas trabalhando a
divulgação de forma
eficiente, mas, na maioria
das vezes divulgando o
Espiritismo para os próprios
espíritas. Devemos ir além.
Devemos não só ser
eficientes, mas também
eficazes, que significa
divulgar essa Luz também
para os não espíritas. A
humanidade precisa do
Espiritismo.
E sobre o tópico “Respeito
às demais instituições”, o
que você pode nos
esclarecer?
Divulgar o Espiritismo de
forma ousada não significa
jamais desrespeitar as
demais religiões, mas, sim,
respeita-las e valoriza-las.
Um espírito já disse (não me
lembro qual) que o “o
Espiritismo não é a religião
do futuro, mas, o futuro das
religiões”. Isto é, as
demais religiões não
deixarão de existir, mas um
dia terão que estudarem
Kardec, que é o que já está
ocorrendo na cidade de
Ribeirão Preto-SP, onde
grupos de católicos
carismáticos estão estudando
o Livro dos Médiuns, de
Kardec!!!
Se respeitarmos e passarmos
a ser amigos dos líderes de
outras religiões, estes
terão coragem de nos
perguntar sobre o
Espiritismo, terão abertura
para nos solicitar
indicações de livros
espíritas, que é o que
também já está ocorrendo com
centenas de pastores e
padres que têm amigos
espíritas.
Fale alguma coisa sobre o
tópico “Administração
Eficaz”.
Por falta de administração
eficaz, muitas vezes a
desarmonia campeia no meio
espírita. Não basta exercer
a liderança com amor e
determinação. As técnicas
administrativas precisam
estar presentes.
O líder espírita precisa
estudar livros sobre
liderança. Por dever de
oficio (e por prazer) li
dezenas de livros sobre
liderança. Indico um: O
DESAFIO DA LIDERANÇA, de
Kouses e Pozner, Editora
Campus. Um dos melhores
livros de liderança que
existem. O líder espírita
precisa participar de cursos
sobre liderança. Assim
agindo irá conhecer
ferramentas que muito irão
lhe ajudar na administração.
E sobre o último dos quatro
tópicos, “Relacionamento
Harmonioso”, o que você pode
nos dizer sobre este tema
tão desafiador dentro da
nossa Seara?
O prof. Rubem Alves disse em
um dos seus livros que “As
coisas são os nomes que
damos a elas”. Esta forte
mensagem é simplesmente
espetacular, pelo seu poder
de síntese e esclarecimento.
Seguindo a máxima do prof.
Rubem Alves, para a pessoa
que diz “viver é sofrer”, a
vida irá provar a ela que
viver é sofrer. Para a
pessoa que diz “viver é
aprender”, a vida irá provar
a ela que viver é aprender,
pois quando o sofrimento
surgir, essa pessoa em vez
de dizer “nasci para
sofrer”, dirá “que lição
preciso tirar desse meu
sofrimento”. Aproveito dessa
analogia para reforçar que
aquele líder que diz “o
problema são as pessoas”, a
vida irá provar a ele que o
problema são as pessoas. Mas
aquele líder que diz “a
solução são as pessoas”, a
vida irá provar a ele que a
solução são as pessoas. Qual
então deve ser a escolha
sensata do bom líder, dizer
que “o problema são as
pessoas” ou dizer que “a
solução são as pessoas”?
O líder que escolhe a
segunda opção (a solução
está nas pessoas), irá
valorizar os treinamentos e
seminários na área
comportamental. Em vez de
criticar o colaborador, o
líder irá criticar o sistema
adotado, e procurará muda-lo.
Indico, para estudo em
grupo, um livro que tem
melhorado substancialmente o
ambiente interno de centenas
de Centros Espíritas: LAÇOS
DE AFETO, espírito Ermance
Dufaux, psicografado por
Wanderley Soares de
Oliveira, Editora INEDE.
Os conflitos estarão
presentes onde houver seres
humanos. São através dos
conflitos que nos
conhecemos, que descobrimos
nossas fraquezas. Como diz
Richard Simonetti, “o
próximo é a lixa grossa que
burila nossa personalidade”.
Aceitar o próximo, aceitá-lo
como ele é, é o nosso grande
desafio. Quando descobrirmos
que a convivência é a
ferramenta mais apropriada
para nos conhecermos, iremos
aprender a administrar os
conflitos. Sobre este
assunto veja o que diz
Ermance Dufaux, no livro
Mereça ser feliz, Editora
INEDE: “Não existe
felicidade sem pleno
conhecimento de si mesmo. O
mergulho nas águas abissais
do mar íntimo é
indispensável. E a
convivência, nesse contexto,
é a Escola Bendita. Saber os
motivos de nossas reações
frente aos outros, entender
os sentimentos e idéias nas
relações é preciosa lição
para o engrandecimento da
alma na busca de si
próprio”.
Quais são os tipos de
palestras que, você, um
especialista em treinamento
e consultoria empresarial,
tem proferido nos Centros
Espíritas? O que essas
palestras acrescentam ao
público?
Uma observação: dedico meu
tempo ministrando seminários
em vez de palestras. Vejo
que desenvolvendo temas com
4h de duração, fica mais
fácil passar ao público as
técnicas apropriadas à
prática do tema. Os quatro
temas mais solicitados são
“Aprimorando a liderança
espírita”, “Convivência &
Afetividade”, “O amor está
no ar” e “Conseguindo a
união no meio espírita”.
Também trabalho outros temas
como “O trabalho voluntário
na casa espírita”,
“Melhorando o relacionamento
na Casa Espírita”,
“Desenvolvendo a
auto-estima”, “Curso teórico
para formação de oradores
espíritas” e “Somos
imortais, e daí?”.
Quanto à segunda parte de
sua pergunta, vejo que os
seminários, por terem a
estrutura didática de
treinamentos empresariais (e
as empresas são exigentes em
relação aos resultados a
serem alcançados), acabam
fornecendo procedimentos que
facilitam a vivência do tema
desenvolvido.
Para terminar, que conselhos
você daria a um líder
espírita que está a muito
tempo exercendo sua
liderança e também a um
líder espírita que agora
está iniciando os seus
primeiros passos?
Começo por indicar um livro,
pedindo que o leitor dê
atenção especial a todos os
capítulos do mesmo. São
excelentes alertas à
liderança. Mas, em especial,
foque o primeiro capítulo,
“Atitude de Amor”, que traz
uma esclarecedora e
fundamental (e esta é a
palavra certa) mensagem de
Bezerra de Menezes. O livro
é SEARA BENDITA, Editora
INEDE, vários autores
espirituais, psicografia de
Wanderley Soares de Oliveira
e Maria José Soares de
Oliveira. Ao espírita
arredio às coisas novas,
isto é, ao espírita que
antes de ler o livro pensa
“mas quem são esses
médiuns?”, digo, com afeto:
leia primeiramente o livro.
Apliquemos a máxima de
Cristo “pelos frutos
conhecereis a árvore”. Não
condenemos a árvore sem
antes conhecer a qualidade
dos frutos. Sobre o livro
SEARA BENDITA, ouvi de um
presidente de uma das
renomadas Instituições
Espíritas do nosso país:
“Este livro será um dos mais
comentados e estudados dos
próximos 20 anos.” Assino
embaixo. Penso da mesma
forma.
Dica ao líder antigo: é
preciso atualizar-se
continuamente. Dica ao líder
novo: é preciso atualizar-se
continuamente. Enfim, a
atualização é necessária
para todos nós. É preciso
quebrar paradigmas, sempre
com fraternidade. Nunca
destruir o passado, mas,
sim, construir em cima do
passado. Não brigarmos por
amor à causa, pois que a
causa é o amor. Não
brigarmos pela defesa da
doutrina. Ela, disse Divaldo
Franco, pura que é, não
precisa de defensores.
Enquanto brigamos, não a
vivenciamos.
Como última informação, a
liderança espírita precisa
ter estratégias, precisa
elaborar projetos, como as
empresas. Um dos primeiros
projetos que sugiro é o
PROJETO DA AFETIVIDADE, com
o objetivo de vivenciar o
afeto dentro da casa
espírita.
Por falta de estratégias e
projetos, perdemos um dos
bondes da divulgação do
Espiritismo quando o filme
“O Sexto Sentido” foi o
filme mais visto pelos
brasileiros no ano de 1.999.
Qual é a empresa que, se
soubesse que o filme mais
visto do ano tivesse como
tema o seu produto, não iria
aproveitar da circunstância
para melhor divulga-lo? E o
produto do citado filme era
os conceitos espíritas.
Perdemos esse bonde.
Por falta de estratégia e
projetos, não estamos
aproveitando dos recursos
financeiros que as empresas
estão oferecendo às
instituições assistenciais.
E reclamamos da falta de
dinheiro, que na realidade,
está sobrando. Exemplo: a
Petrobrás tem disponível R$
303 milhões para patrocinar
projetos sociais e
ambientais, e tem
dificuldades para escolher
quem e o que patrocinar.
Onde estão os nossos
projetos para o levarmos à
Petrobrás e às milhares de
empresas que tem verbas
específicas para este fim?
Por falta de estratégias e
projetos, Espiritismo é
ainda associado por muita
gente com galinha preta na
esquina. Não divulgamos essa
Luz.
Por falta de estratégias e
projetos, a mídia não nos
procura, pois que, não nos
conhece. Exemplo: sobre o
atual debate que está sendo
discutido por comissão do
governo sobre a liberação do
aborto, o jornal o Estado de
São Paulo colheu depoimentos
de católicos, protestantes e
líderes de religiões
judaicas, mas, não
entrevistou os líderes da
religião que, modéstia à
parte, mais entende do
assunto: o Espiritismo. Da
mesma forma, a revista
Época, de 13 de dezembro de
2.004, entrevistou católicos
e protestantes sobre o tema
aborto, mas não entrevistou
os espíritas.
Não condenemos a mídia por
não nos procurar, mas, sim,
façamos reflexão sobre que
estratégias e projetos
estamos(?) adotando para
fazermo-nos conhecidos.
Mas que a primeira
estratégia e projeto seja
fazer a lição de casa:
PROJETO DA AFETIVIDADE NA
CASA ESPÍRITA. É preciso,
como disse Richard Simonetti,
fazer com que o nosso
conhecimento desça da cabeça
para o coração! |