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Matéria
publicada no Jornal Mundo
Espírita - fevereiro/2005
Dos
Evangelistas, somente Lucas
a ela se refere, assinalando
ser descendente de Arão.
Esposa do sacerdote
Zacarias, com ele vivia,
provavelmente, na aldeia
serrana conhecida nos dias
recentes como São João da
Montanha, situada em
Ain-Karim, cerca de 7 km. a
oeste de Jerusalém.
Como toda
mulher, em Israel, deve se
ter casado entre os 12 e 12
anos e meio. Embora não
fosse aconselhado que à
menina fosse ensinada a Lei
e as tradições, no relato de
Lucas se reconhece que
Isabel conhecia os textos
sagrados.(Lucas, 1: 43)
Ainda que, em
Israel, a mulher ocupasse
lugar de subalternidade -
pois os textos previam que
ela se devia ocupar dos
filhos, da casa, chegando a
especificar a quantidade
mínima de lã ou linho que
ela deveria fiar ou tecer
por semana, e onde devia,
inclusive, aceitar que seu
marido dividisse sua afeição
com outras mulheres, fossem
esposas ou concubinas, - não
se pode descartar a
existência do amor conjugal.
Desta forma,
ao se ler a respeito de
Isabel e Zacarias,
conclui-se que o casal vivia
a monogamia, mesmo porque, a
poligamia era rara, em
Israel, em primeiro lugar
por razões econômicas.
Embora as leis rígidas
quanto à mulher, não é raro
se encontrar o amor
transfigurando todas as
leis, bastando se leia no
Antigo Testamento tantos
casos de homens que amaram
intensamente suas mulheres,
a elas se entregando em
totalidade.
É de supor,
pois, que o casal Isabel e
Zacarias, citados por Lucas
como “justos diante de Deus,
caminhando
irrepreensivelmente em todos
os mandamentos e preceitos
do Senhor” vivia a aura do
respeito, dedicação e amor
mútuos.
Difícil é se
imaginar qual seria a idade
de ambos, tidos como
avançados em anos, ao tempo
em que Isabel, assinalada
como estéril, veio a
conceber, visto que a idade
era contada de forma diversa
da atual, tanto quanto
considerando-se que o homem
se consorciava aos 18, a
mulher antes dos 13 anos.
Isabel, dias
após a visita do mensageiro
espiritual Gabriel a seu
marido Zacarias, no Templo,
concebeu. Relata ainda o
Evangelista que durante 5
meses ela permaneceu
escondida, crendo que sua
gravidez era uma graça que
recebera do Senhor, que
assim a reabilitava perante
os homens, em face da
importância dada à geração
de filhos.
Isabel é
citada como prima de Maria,
a mãe de Jesus, embora haja
ocasiões em que simplesmente
a ela se referem como
parenta de Maria. Essa, tão
logo recebe a notícia de que
será mãe do Filho de Deus, e
que sua prima igualmente
concebera, encontrando-se no
sexto mês de gravidez, a vai
visitar.
A viagem deve
ter durado de 4 a 5 dias e o
Evangelista omite detalhes
como Maria se deslocou até
lá. O que a movia, com
certeza, não era verificar
se verdadeiramente estava
grávida sua prima, senão o
intuito de a auxiliar,
naqueles meses. Igualmente,
o desejo de felicitar a
prima pela grande mercê que
Deus lhe acabara de fazer.
À porta do
jardim, Isabel é a primeira
a avistar Maria e lhe corre
ao encontro, de braços
abertos. Prostra-se
reverente aos pés de Maria e
a saúda com as palavras:
“Bendita és tu entre as
mulheres, e bendito o fruto
do teu ventre. E donde me
provém isto a mim, que venha
visitar-me a mãe do meu
Senhor?”
E explica
que, tão logo a voz de Maria
cumprimentando-a, à
distância, chegou aos seus
ouvidos, o menino exultou de
alegria em seu ventre. Dois
detalhes importantes: Isabel
estava plenamente ciente da
visão do marido e aqui se
permite ser a médium de
manifestação espiritual.
Conforme os
Evangelhos, ela ficou “cheia
de um Espírito Santo” e os
estudiosos afirmam que o
próprio Elias que estava a
se reencarnar naquele
ventre, é que por ela falou.
Ele sabia de
tudo o que estava ocorrendo
e tinha visão espiritual
ampla, mesmo porque Isabel
não poderia de outra forma
estar ciente da gravidez de
Maria, que não tinha nem um
mês, e portanto não aparecia
externamente.
Esta
explicação da consciência do
espírito ainda no seio
materno é dada por
estudiosos como Orígenes,
considerado um dos pais da
Igreja, e mais Tertuliano,
Irineu, Ambrósio e o teólogo
Suarez.
Conclui
Isabel, por si mesma,
abençoando Maria porque nela
se cumpriram as promessas
antigas de Yaweh e também
por que ela deu crédito ao
anjo que lhe participara a
notícia.
Tendo dado à
luz um menino, o fato causou
grande alegria e alvoroço
entre a parentela e a
vizinhança.
No oitavo
dia, o menino foi
circuncidado. O rito da
circuncisão podia ser
desempenhado por qualquer
israelita e na residência
dos pais. Em todas as
localidades havia o Mohel, a
pessoa habilitada para essa
delicada operação no
recém-nascido.
Pelo que se
depreende do Evangelho de
Lucas, o fato se deu em
casa, porque Isabel estava
presente, e conforme a Lei a
mulher não podia sair à rua
antes de transcorridos 40
dias do parto, se tivesse
dado à luz um varão. O prazo
era contado em dobro, caso o
nascituro fosse do sexo
feminino.
No ato da
circuncisão, Isabel
interfere, pois se pretende
dar o nome do pai ao menino.
Causa estranheza a anotação
de Lucas, pois não era
costume tal, entre o povo de
Israel, evitando criar
confusão entre pai e filho,
com nome idêntico. Talvez
porque Zacarias fosse idoso,
imaginaram que não poderia
haver tal confusão. Ele
morreria, possivelmente, em
breve.
Mas a mãe não
é bem ouvida pelos que ali
estavam. Primeiro, porque a
mulher não poderia sugerir
nome para o filho; segundo,
porque o nome que ela
sugere, João, não existia na
família.
Enfim, é o
pai, Zacarias que,
consultado, escreve em uma
tabuinha, o nome João,
atendendo ao mensageiro que
o visitara, no altar do
Templo, há pouco mais de 9
meses.
Após a
circuncisão do filho, não
mais se ouve menção nominal
a Isabel. Talvez estivesse
inclusa entre aquelas
citadas por Lucas (8, 1 ss)
que seguiam Jesus: “...
Maria, chamada Madalena, da
qual sairam sete demônios; e
Joana, mulher de Cusa,
procurador de Herodes e
Suzana e muitas outras que o
serviam com suas fazendas.”
Talvez tenha
desencarnado algum tempo
depois, antes mesmo do filho
se tornar o Precursor do
Cordeiro de Deus.
De toda
forma, uma coisa é certa:
como todas as grandes almas,
ela serviu na humildade e,
cumprida a sua tarefa, dar a
luz ao menino que aplainaria
as veredas do Senhor, sai de
cena. Palpável é a certeza,
contudo, de que, como José,
Maria, Zacarias era uma
grande alma, plenamente
cônscia de sua missão, que
cumpriu de forma integral.
Bibliografia:
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Bíblia Sagrada. Tradução de
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02.PASTORINO,
Carlos Torres. Nascimento de
João. In:___. Sabedoria do
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Sabedoria, 1964. v. 1.
03.______.
Visita a Isabel. Op. cit.
04.______.
Zacarias e Isabel. Op. cit.
05.ROHDEN,
Huberto. A aurora da
redenção. In:___. Jesus
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União Cultural. v. I, pt. 1,
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anjo do deserto. Op. cit.
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07.ROPS,
Daniel. Família, “Meus ossos
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08.SALGADO,
Plínio. Zacarias e Isabel.
In:___. Vida de Jesus. 21.
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1978. pt. 1, cap. 4.
09.SAULNIER,
Christiane; ROLLAND,
Bernard. A sociedade
judaica. In:___. A Palestina
no tempo de Jesus. São
Paulo: Paulinas, 1983. item
A mulher.
10.VAN DER
OSTEN, A . Isabel. In:___.
Dicionário enciclopédico da
bíblia. 3. ed. Petrópolis:
Vozes, 1985. |