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Matéria
publicada no Jornal Mundo
Espírita - maio/2003
Seu nome
deriva do latim: igne – fogo
e natus – nascido. Nascido
do fogo, o que corresponde
muito bem à sua
personalidade: ardente,
eloqüente, apaixonado por
Cristo e pelo forte desejo
de imitar seu Mestre.
Também é
cognominado Theoforos –
carregado por Deus, por ser
identificado como a criança
que Jesus tomou nos braços,
para dar exemplo da
verdadeira pureza (Mateus,
18:2-6).
De sua vida
se conhecem alguns dados
através de Eusébio de
Cesaréia, através de sua
História Eclesiástica, que o
identifica como tendo
assumido a chefia da Igreja
de Antioquia.
Antioquia foi
fundada por volta do ano 300
a.C., por Seleuco Nicátor,
com o nome de Antiokheia
(cidade de Antíoco).
Tornou-se a capital do
império selêucida e grande
centro do Oriente
helenístico.
Conquistada
pelos romanos, por volta de
64 a.C. Conservou seu
estatuto de cidade livre e
foi a terceira cidade do
Império depois de Roma e
Alexandria, chegando a
abrigar até 500 mil
habitantes.
Mereceu a
evangelização de Pedro,
Paulo e Barnabé. Atualmente
é a cidade de Antakya, da
Turquia.
Inácio foi
encontrado por João, mais ou
menos quatro anos após o
drama da cruz. Tendo se
retirado para Éfeso, onde
ganhara um pedaço de terra
cultivável, o Apóstolo
morava com Maria, a mãe de
Jesus.
O local era
um ponto geográfico
privilegiado, aconchegante,
de rara beleza. Logo além
podia-se ver o mar bordado
pelas velas coloridas das
embarcações.
Miosótis,
flores miúdas e tamareiras
completavam a harmonia do
local.
O menino
tinha então seus 8 anos e
vendo-o, João se lembrou do
petiz de perninhas magras,
pendendo frouxas e
confiantes do colo do Divino
Amigo. Pareceu rever, na
tela da alma, as divinas
mãos acariciando os cabelos
desgrenhados daquela
criança.
Com ternura,
resolveu adotá-lo e o levou
para sua casa. Ali, o
pequeno cresceu sob a
ternura e os carinhos de
Maria, enquanto João lhe
cultivou o caráter nos
ensinos cristãos.
Já adulto,
propagador entusiasta da Boa
Nova, Inácio de Antioquia
foi preso. Tornou-se célebre
por sua peregrinação
forçada, em cadeias, de
Antioquia a Roma.
Qual Paulo de
Tarso, em seu caminho para
Roma, foi recebendo a visita
de cristãos de outras
Igrejas, em todo o percurso.
Nas paradas que fazia para
descanso, escrevia às
comunidades que o tinham
recebido ou que lhe enviavam
representantes. São sete as
cartas conhecidas, todas de
imenso valor para o
conhecimento da história dos
primeiros cristãos.
Em sua
Epístola a Policarpo de
Esmirna (cidade marítima da
Ásia Menor, a oeste de
Éfeso. Pesquisas
arqueológicas a identificam
com a colina de
Hacimutsoste, a oito
quilômetros da atual cidade
de Izmir, na Turquia) ele
recomenda à comunidade, a
união e confessa a sua fé em
Jesus Cristo.
"O cristão",
afirma ele no cap. 7:3, "não
tem poder sobre si mesmo,
mas está livre para servir a
Deus."
Na Epístola
aos Romanos,cap. 4:1-3,
temeroso de que, amigos que
tinham influência na corte
imperial o poderiam impedir
de alcançar o martírio, ele
escreve: "Eu vos suplico,
não mostreis comigo uma
caridade inoportuna.
Permiti-me ser pasto das
feras, por meio das quais me
é concedido alcançar a Deus.
Sou trigo de Deus, e serei
moído pelos dentes das
feras, para que me apresente
como trigo puro de Cristo.
Ao contrário,
acariciai as feras, para que
se tornem minha sepultura, e
não deixem nada do meu
corpo, para que, depois de
morto, eu não pese a
ninguém...Não vos dou ordens
como Pedro e Paulo; eles
eram apóstolos, eu sou um
condenado. Eles eram livres,
e eu até agora sou um
escravo. Contudo, se eu
sofro, serei um liberto de
Jesus Cristo, e ressurgirei
nele como pessoa livre.
Acorrentado, aprendo agora a
não desejar nada."
No cap.
seguinte refere-se à luta
"...contra as feras, por
terra e por mar, de noite e
de dia, acorrentado a dez
leopardos, a um destacamento
de soldados; quando se lhes
faz bem, tornam-se piores
ainda. Todavia, por seus
maus tratos, eu me torno
discípulo melhor, mas ‘nem
por isso justificado’."
Finalmente,
num dia ensolarado e quente,
desembarcando no Porto de
Óstia, cercado por
legionários, seguiu pela Via
Ápia. Chegando ao cume de
uma colina que circundava a
cidade, ele começou a
sorrir.
Aquele homem
alquebrado, sorria a ponto
de comover-se até as
lágrimas. Um legionário se
aproximou dele, bateu-lhe na
face e colérico, lhe falou:
"Tu deves
estar louco. Por que
sorris?"
Inácio, ainda
emocionado, respondeu:
"Sorrio
diante de tanta beleza que
os meus olhos descortinam.
Sorrio porque chego a Roma e
vejo uma cidade imponente.
Sorrio ao olhar o casario de
mármore, as estátuas que
rutilam ao sol, as águas
prateadas do Tibre que
circundam as montanhas como
um alaúde. Sorrio..."
Antes que
Inácio pudesse prosseguir, o
soldado lhe gritou:
"Mas tu vais
morrer, miserável. Como
podes sorrir?"
"Sorrio",
continuou o pregador do
Evangelho, "sorrio de
felicidade porque agora eu
posso ter uma dimensão do
amor de Deus. Porque, se
para vós, que sois
corrompidos, se para vós que
sois criminosos, Deus
concede uma cidade tão bela
e tão harmônica, o que não
haverá de oferecer para
aqueles que lhe são fiéis?
Sorrio de
felicidade, antecipadamente,
e desejo que o sofrimento
que me apontas venha logo, a
fim de que ele me leve..."
Colocado em
um subterrâneo, encontrou
amigos de fé. Ali, ele se
recordou de Jesus e, por
várias horas falou-lhes a
respeito das
bem-aventuranças do reino de
Deus.
Uma semana
depois, milhares de
espectadores lotaram o circo
e a arena ovalada se encheu
de feras vindas de várias
partes do mundo.
Eram feras
que não tinham sido
alimentadas por uma semana e
sobre as quais se atiravam
pedaços de carne
ensangüentados, cheios de
vida para lhes espicaçar o
paladar.
Naquela
arena, os cristãos foram
lançados e os animais, de
forma rápida, despedaçaram
aqueles corpos frágeis de
anciãos, homens, mulheres e
crianças, que não se
intimidavam diante da morte.
Contudo, de
uma forma estranha, Inácio,
que se encontrava entre
eles, não foi tocado.
Esperou que uma patada no
tórax lhe despedaçasse os
ossos e os músculos.
Entretanto, nenhuma fera lhe
arrebentou o corpo.
Vendo que os
cadáveres dos seus
companheiros já estavam
sendo rejeitados pelas feras
saciadas, ele se ajoelhou na
arena ensangüentada e orou a
Jesus:
"Por quê? Por
que fui poupado? Por que não
tive a honra de morrer?"
Então, um ser
espiritual se lhe apresentou
à visão psíquica e lhe
respondeu:
"Inácio,
morrer é muito fácil. Perder
o corpo numa só vez é um
testemunho pequeno para ti.
Tu, que amas tanto Jesus,
mereces algo mais penoso. Tu
viverás. Viverás entre
pessoas que não te
compreendem, que
desconfiarão de ti.
Estar firme
no Ideal, Inácio, no momento
das dificuldades, este é o
sacrifício maior. O Mestre
deseja que vivas, para que a
Sua mensagem saia da tua
boca e experimentes a
perseguição continuada, sem
desanimar. A morte na arena
é uma morte muito rápida
para os que são bons e
fiéis."
Inácio saiu
da arena. Os cristãos
supuseram que ele houvesse
prestado sacrifício aos
deuses de Roma, para ter a
sua vida poupada.
A calúnia, a
maledicência e a intriga
semearam, na comunidade
cristã toda sorte de
desconfianças.
Inácio jamais
se defendeu, porque quem ama
Jesus não tem tempo a perder
com defesas improdutivas.
Jamais se
justificou, porque ele
deveria prestar contas ao
seu rei, Jesus, e não aos
seus pares, súditos como
ele.
Não disse uma
palavra. Os anos
demonstraram a sua grandeza.
Ele passaria a ser o modelo
do cristão verdadeiro, o
modelo daquele servidor
primitivo de Jesus, elevado
à categoria de
bem-aventurado por seu
testemunho de amor.
Sua morte é
assinalada como tendo
ocorrido no ano de 110,
durante o reinado de
Trajano, em Roma.
Bibliografia:
01.FRANCO,
Divaldo Pereira. Palestra
pública.
02.______.
Trigo de Deus. In:___. Trigo
de Deus. Pelo espírito
Amélia Rodrigues.
Salvador:LEAL, 1993.
03.COELHO,
Rogério. O holocausto maior.
Revista Reformador, Rio de
Janeiro:FEB, p. 70, mar.
2001.
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www.nlink.com.br/~lume/antioquia.htm
www.terravista.pt/Portosanto/3718/biografgeocities.yahoo.com.br/montealverne/sinacio.html
www.veritatis..com.br/aartigo.asp
www.freineylor.hpg.com.br |