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Matéria publicada no Jornal
Mundo Espírita - março/2004
Era originário de Chipre e
foi considerado por Pedro
como um dos apóstolos,
embora não fizesse parte dos
doze. Seu nome era José, mas
na “Casa do Caminho” o
chamavam Barnabé, que
significa “filho da
exortação”.
Atos dos Apóstolos se refere
a ele como o Justo e informa
que ele vendeu um terreno de
sua propriedade e doou o
dinheiro à Igreja nascente.
Daniel Rops o descreve como:
“Um homem bom, cheio de
espírito e de fé. E de uma
sabedoria também, como veio
depois a mostrar. Cipriota
de origem, falava, portanto,
o grego, desde que nascera,
mas, pela raça, pertencia à
tribo de Levi.(...)” (1)
Devia ser oleiro, pois em
suas andanças apostólicas,
chegará a se empregar em uma
olaria, a fim de prover a
expedição de recursos.
Antes de se transferir
definitivamente para
Jerusalém, Barnabé tivera
oportunidade de ouvir
referências à grande coragem
de Saulo, na Sinagoga de
Damasco, logo após a sua
conversão.
Tais informações seriam
repassadas ao grupo dos
homens do Caminho quando
Saulo busca acolhida entre
eles.
Por não conhecer Saulo
pessoalmente, foi designado
por Pedro para visitar o
doutor de Tarso, em nome da
“Casa do Caminho”, a fim de
sentir a sua sinceridade.
Barnabé, diz Emmanuel,
“(...) destaca-se por sua
grande bondade. Sua
expressão carinhosa e
humilde, seu espírito
conciliador, contribuíam, na
igreja, para a solução
pacífica de todos os
assuntos.” (2)
Com um sorriso generoso, ele
procura Saulo, na pensão
onde aquele se hospedara.
Abraça-o e lhe dirige
palavras afetuosas. “(...)
Em poucas horas sentia-se
tão identificado com o novo
amigo, quais se fossem
conhecidos de longos
anos.(...)” (2)
Discreto, salda as dívidas
de Saulo, junto ao
hospedeiro. E o introduz na
“Casa do Caminho”, levando-o
pela mão. Mais tarde, quando
o ex-levita de Chipre foi
designado por Simão Pedro
para dirigir o núcleo
nascente em Antioquia, a
conselho desse, foi a Tarso
buscar Saulo, para ser seu
auxiliar.
Os pregadores mais
destacados, na Igreja de
Antioquia eram Barnabé e
Manahen. Quando chegam as
notícias das graves
perseguições em Jerusalém,
recolhidas as cotas de
auxílio, Barnabé se
prontifica a ser o portador
à “Casa do Caminho”.
Acompanhado de Saulo, segue
a Jerusalém, onde se
hospedam em casa de sua
irmã, Maria Marcos. Dali
seguem, agora acrescida a
caravana pelo sobrinho, João
Marcos, adolescente, para a
formosa cidade do Orontes.
Instado por Saulo, Barnabé
se entusiasma com a idéia de
levar o Evangelho aos
gentios. Rejubila-se com as
perspectivas e, como há
muito, tivesse necessidade
de voltar a sua terra, para
resolver uns problemas de
família, propõe que se
inicie o serviço apostólico
pelas aldeias e cidades de
Chipre.
Retornando a Antioquia,
Barnabé expõe o plano aos
demais companheiros. “(...)
Seus pareceres veementes
eram mais que justos. Se
perseverasse o marasmo nas
igrejas, o Cristianismo
estava destinado a
perecer.(...)” (5)
O discípulo de Simão Pedro
recebeu a aquiescência dos
demais e, no momento da
prece, a “(...) a voz do
Espírito Santo se fez ouvir
no ambiente de simplicidade
pura, inculcando fossem
Barnabé e Saulo destacados
para a evangelização dos
gentios.” (5)
Iniciada a viagem, pelas
localidades onde passassem,
era sempre Barnabé quem
realizava a oratória. A sua
palavra era profundamente
contemporizadora, com
extremo cuidado de não
ofender os melindres
judaicos, o que nem sempre
agradava Saulo.
Quando chegaram a Nea-Pafos,
ele estava exausto. Nunca
tivera tantos labores. Mas
temia confiar a Saulo as
responsabilidades do
ensinamento. Foi ali que, ao
falar na Sinagoga, fez a
apresentação do Evangelho
com raro brilhantismo,
diga-se, como verdadeiro e
ardente inspirado. Tal foi a
repercussão, que passou a
organizar reuniões em casas
particulares, especialmente
cedidas por simpatizantes da
doutrina de Jesus.
Impondo as mãos, ele e Saulo
curavam as pessoas, orando e
oferecendo água pura. Foi
numa dessas assembléias que,
acreditando que o auditório
presente não requisitava
maior erudição, Barnabé
resolveu pedir a Saulo que
fizesse a pregação da Boa
Nova, verificando então como
o ex-rabino se transformara.
Após a entrevista com o
Procônsul Sérgio Paulo, sua
cura e os fatos
extraordinários que observa,
da parte do amigo, Barnabé
deixa de ser o chefe da
equipe. Torna-se nada mais
do que um companheiro de
Saulo, um membro da sua
comitiva.
Em momento oportuno, sugere
a Saulo a mudança de nome, o
que esse, em homenagem à
conversão do Procônsul, toma
o nome de Paulo.
Toda a grandeza de Barnabé
se evidencia em seu
posicionamento. Permite, de
forma natural, que Paulo se
destaque, com a certeza de
que nas tarefas do Cristo,
todos somos servidores da
mesma causa, dando aquilo
que se pode, contidos apenas
pelas limitações pessoais.
É o grande amigo de Paulo.
Quando esse adoece, como em
Antioquia de Pisídia,
durante um mês trata-o da
influência maligna da febre
devoradora. De outras, lhe
pensaria as feridas por
apedrejamento, como em
Listra. Provavelmente já se
conheciam e se estimavam
antes da existência em que
juntos viveram espalhando a
mensagem de Jesus.
Em Listra, na Licaônia, com
seu porte majestoso e viril,
é confundido com o próprio
Júpiter, o pai supremo das
divindades olímpicas, que
ali era venerado em suntuoso
templo.
Mais tarde, enquanto Paulo
partiria para o Tauro,
Barnabé e seu sobrinho João
Marcos retornariam para
Chipre, a fim de cuidar da
organizacão que ali fora
fundada, na primeira viagem
com Paulo.
Eram dois irmãos muito
amados, que o Mestre chamava
a diferentes destinos e daí
em diante, a História perde
Barnabé de vista.
“(...) Não é uma figura que
se destaque por brilho
invulgar na história do
Cristianismo nascente, mas
merece referencial especial
pela sua amizade e dedicação
pessoal a Paulo e a Pedro.”
(1)
Também pela grandeza de
espírito, que se ocultou no
anonimato, para atender as
tarefas preciosas junto aos
desvalidos e necessitados da
Boa Nova, permitindo que o
Apóstolo tarsense se
engrandecesse na
disseminação das luzes do
Cristo, buscando a
gentilidade.
Bibliografia:
01.MIRANDA, Hermínio C. Os
amigos. In:___. As marcas do
Cristo. Rio [de Janeiro]:
FEB, 1979. vol. I, cap. 4.
02.XAVIER, Francisco
Cândido. Lutas e
humilhações. In:___. Paulo e
Estêvão. 1. ed. especial.
Rio de Janeiro: FEB, 2002.
pt. 2, cap. 3.
03.______. Lutas pelo
evangelho. Op. cit. pt. 2,
cap. 5.
04.______. Peregrinações e
sacrifícios. Op. cit. pt. 2,
cap. 6.
05.______. Primeiros labores
apostólicos. Op. cit. pt. 2,
cap. 4. |