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A
anciã explica.
– Há dias sinto dores na perna
esquerda. Estão me incomodando…
O médico a examina. Nada de significativo.
– Quantos anos a senhora tem?
– Oitenta e quatro.
– Está explicado. É
a idade.
– Não enrole, doutor. A perna
direita tem a mesma idade, e não
dói.
***
Tendemos a atribuir determinados males aos
desgastes do tempo.
– É o peso dos anos!
– O corpo enferruja!
Há toda uma cultura sinalizando a
velhice como sinônimo de dores e incômodos.
Não é exatamente assim.
Temos uma programação biológica,
mediando dos oitenta aos cem anos.
Nas proximidades desse período, a
“máquina” começa
a anunciar:
Está atingindo seus limites. Conveniente
o “usuário” preparar-se
para entregá-la ao “proprietário”,
que, como sabe o prezado leitor, é
o Todo-Poderoso.
Deus a desmontará, peça por
peça, célula por célula,
na oficina da Natureza, aproveitando a matéria
prima para novas utilidades, até
para novas máquinas, com divina eficiência,
sem perder um átomo sequer.
A chamada idade provecta não precisa
ser marcada por doenças e dores.
Apenas paulatina redução da
vitalidade.
Imagine uma vela que chega ao fim, bruxuleia
e apaga.
Deveríamos deixar suavemente o corpo,
quando atingido o limite de sua utilização,
vencido o prazo de validade.
As enfermidades nem sempre representam a
execução de um projeto elaborado
a partir da vida espiritual.
Decorrem muito mais da maneira como vivemos
e pensamos, das violências que cometemos
contra nosso corpo.
•
De fora para dentro – indisciplina
física…
Álcool, drogas, fumo, sedentarismo,
glutonaria, promiscuidade…
•
De dentro para fora – intemperança
mental.
Mágoa, ressentimento, agressividade,
cólera, rancor, ódio, revolta,
desespero, inconformação…
Dá para entender a presença
da Medicina na Terra.
É a manifestação da
misericórdia divina, ajudando-nos
a vencer as enfermidades que geramos, para
que possamos cumprir o tempo que nos é
concedido, ao reencarnar, atendendo aos
celestes desígnios.
Ocorrem exceções: os problemas
cármicos, em que o Espírito
vem para experiência breve, trazendo
uma composição genética
que lhe ceifará a existência
na infância, na adolescência
ou na idade adulta, antes de atingir os
limites impostos pela biologia.
Quanto ao mais, todos podemos e devemos
desenvolver um comportamento adequado, a
fim de aproveitar integralmente as oportunidades
de edificação da jornada humana.
Evitaremos o vexame de retornar ao mundo
espiritual antes do tempo, despejados do
corpo, como um inquilino que é obrigado
a deixar a casa que desmorona, por não
ter cuidado bem dela.
Destacamos:
•
Fisicamente:
Exercícios metódicos, alimentação
adequada, trabalho disciplinado, repouso
regular, cuidados de higiene, abstenção
de vícios.
•
Mentalmente:
Otimismo, bom humor, alegria, tolerância,
compreensão.
•
Espiritualmente:
Atividades religiosas, oração,
empenho de renovação, prática
do Bem.
***
E,
sobretudo, amar.
É isso mesmo, leitor amigo: amar.
Costuma-se dizer que quem ama não
adoece.
O exercício do amor, que em sua aplicação
mais legítima é trabalhar
pela felicidade do ser amado, nos coloca
em sintonia com as fontes da Vida, onde
está o divino elixir que sustenta
a saúde perfeita.
Portanto, usemos e abusemos, a começar
pelo amor a nós mesmos.
Se nos amarmos de verdade, haveremos de
evitar o que nos faça mal, ainda
que, em princípio, nos pareça
bom.
Exemplo: os vícios.
Só um impulso passional, que não
tem nada a ver com o amor, pode nos induzir
a fazer algo que satisfaz a hora presente,
como o cigarro, o álcool, as drogas,
sem nos importarmos com a saúde que
se deteriora, a existência que se
abrevia, o futuro que se complica.
Quem se ama quer o bem do próprio
corpo.
Cultiva a temperança, como o motorista
cuidadoso, que trata com carinho de seu
automóvel.
E, também, o bem da alma, cumprindo
as leis divinas, enunciadas com precisão
nos ensinamentos de Jesus.
Assim, viveremos integralmente o tempo que
o Senhor nos concede.
E, quando chegar nossa hora, mansamente
entregaremos a “máquina”,
quilometragem cumprida, sem pontos negativos
em nossa “carteira”, habilitando-nos
à sonhada conquista:
Um
glorioso porvir!
Livro Para Rir e Refletir
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