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Um leitor revela suas
dúvidas sobre a vida
além-túmulo:
Tenho lido que a pessoa
tende a ver-se em situações
relacionadas à sua maneira
de ser.
Fico pensando onde ficará, e
o que verá, a mãe de minha
mulher que, para minha
desdita, mora comigo.
Induz-me a imaginar que
feliz foi Adão – não tinha
sogra.
Varre a casa varias vezes ao
longo do dia. Fica louca com
pó nas estantes. Faca no
lugar dos garfos, na gaveta,
estraga o seu dia e, também,
o nosso.
Não se pode comprar mais de
dez pães – é exagero. Pão
francês, dos pequenos. Se
for grande, briga, não come,
e vai reclamar dois dias.
Bate portas, dá indiretas e
vive me cutucando. Briga por
qualquer motivo e até sem
motivo nenhum. Critica,
bufa, suspira, faz ai-ai,
embora viva a evocar Deus,
pedindo calma, paciência e
resignação!
Não pára por aí.
São numerosas as regras e
freqüentes as brigas, por
insignificâncias.
Um dia, para agradá-la, quis
fazer surpresa.
Varri a casa, passei pano
molhado no chão, depois pano
seco para tirar o pó que
restou (obrigatório). Limpei
os móveis, arrumei a cama,
passei, cuidadosamente, o
pano no vidro da mesa – Deus
nos acuda, se ficarem marcas
de dedos!
Depois fiz o jantar, um
espetáculo, por sinal, pois
adoro cozinhar. Lavei a
louça e deixei tudo em
ordem.
A primeira coisa que ela
notou, quando chegou, foi o
pano de prato embolado na
pia.
Foi a conta para estragar o
jantar e os próximos dias.
Reclama que vou muito ao
Centro Espírita.
Considera-me uma porcaria de
religioso, que não dá
atenção à família, o que não
é verdade.
Consola-me saber que é assim
com outras pessoas. Não se
dá com ninguém, nem com a
filha e netos.
Às vezes consigo que vá ao
Centro. Toma passes, recebe
ajuda, melhora um pouco, por
alguns dias…
Logo voltam as
impertinências.
Então, eu queria saber o que
vai ser dela do outro lado….
O que vai ver, se aqui
enxerga tudo torto,
neurótica incorrigível?
***
Li certa feita a história de
um rabi que teve treze
filhos.
Houve um acidente e,
tragédia inominável, todos
morreram!
Ante a esposa em desespero,
comentou, fervoroso:
– Tenha paciência, minha
querida. Vamos corresponder
à confiança do Senhor.
Certamente nos ofereceu essa
experiência como consolo
para pessoas que enfrentam o
drama da morte de um filho.
Mirando-se em nosso exemplo,
dirão: – Há quem passe por
transe muito pior e, ainda
assim, não perde a fé.
Algo semelhante ocorre com o
prezado missivista.
Observando sua experiência,
genros atribulados hão de se
animar:
– Aleluia! Não está tão mal!
Há sogras piores que a
minha!
Estou brincando.
A avó de seus filhos há de
ter virtudes, tanto quanto
defeitos, como todos os
seres humanos.
Não há perfeição na Terra.
No livro Boa Nova, do
Espírito Humberto de Campos,
psicografia de Chico Xavier,
Jesus diz algo que nos faz
pensar:
O ser humano é mais frágil
que mau.
É a nossa fragilidade que
nos leva a um comportamento
desajustado. Não percebemos
que magoamos as pessoas e
azedamos qualquer
relacionamento.
Em última instância, criamos
embaraços para nós mesmos,
porquanto, agindo de forma
desajustada, abrimos as
portas às influências
espirituais inferiores, que
nos impõem perturbações e
enfermidades.
Somos os primeiros a sofrer
as conseqüências das mazelas
que extravasamos.
Por isso, o Espiritismo
ensina que devemos ser
indulgentes com os outros,
severos conosco.
Que perdoemos as
impertinências alheias, a
fim de não sintonizarmos com
o mal, conservando a própria
integridade. Mas jamais
perdoemos as nossas,
aprendendo a superá-las.
***
Nosso futuro espiritual, o
que enxergaremos e como
viveremos, não se subordina
ao que vamos encontrar do
outro lado da vida.
Depende de como iremos!
Há Espíritos que fazem
estágios de trabalho no
Umbral, o purgatório
espírita, aproveitando a
oportunidade para servir,
ajudando os infelizes que lá
estagiam. Acumulam créditos
espirituais, habilitando-se
à paz, mesmo em tão desolada
região.
E há os que, não obstante
acolhidos por piedosas
organizações socorristas.
sentem-se infelizes e
perturbados, em face das
idéias negativas que
asilaram em sua mente e do
comportamento desajustado.
Como ensinava Jesus – o
Reino de Deus está dentro de
nós.
O inferno também. Depende do
que pensamos e fazemos.
Insistir na bondade,
respondendo sempre ao mal
com o bem, à agressividade
com a mansidão, ao egoísmo
com o altruísmo, é a melhor
forma de conservarmos a
estabilidade física e
psíquica, ajudando aqueles
que nos aborrecem a superar
seus próprios desajustes,
com a força do exemplo.
Assim, quando a morte nos
conduzir de retorno à pátria
espiritual, estaremos
habilitados ao céu da
consciência tranqüila, ainda
que voltemos a conviver com
impertinente sogra.
Livro Para Rir e Refletir |