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Imaginemos que um gênio das
Mil e uma Noites lhe
concedesse a satisfação de
três desejos, amigo leitor.
O que você pediria?
Certamente o conhecimento da
Doutrina Espírita, luz
abençoada de Deus em nosso
caminho, inspirar-lhe-ia
nobre roteiro de
realizações.
Mas o homem comum, de visão
limitada pela ignorância dos
valores espirituais, coração
sintonizado com o
imediatismo terrestre,
certamente optaria por
riqueza, saúde, fama, poder,
prazer, bem-estar…
Geralmente as pessoas
almejam uma existência sem
sobressaltos, nem problemas,
com tanta "sombra e água
fresca" quanto possível,
pois, afinal, "ninguém é de
ferro"...
No entanto, se nos
concedessem a mesma
possibilidade de escolha nos
tempos em que vagávamos pelo
Continente Espiritual, às
vésperas da presente
existência, certamente seria
diferente.
***
Em Ação e Reação, de André
Luiz, psicografia de
Francisco Cândido Xavier,
deparamos com ilustrativa
experiência envolvendo Druso,
dedicado orientador de uma
instituição socorrista do
Mundo Espiritual.
Prestes a reencarnar,
dirige-se a Jesus, em
comovente oração,
destacando, em dado momento:
E agora, Senhor, que a
esfera dos homens me
descerrará as portas,
acompanha-me, por acréscimo
de misericórdia, com a graça
da tua bênção.
Não permitas que o
reconforto do mundo me faça
esquecer-te e constrange-me
ao convívio da humildade
para que o orgulho me não
sufoque.
Dá-me a luta edificante por
mestra do meu resgate e não
retires o teu olhar de sobre
os meus passos, ainda que,
para isso, deva ser o
sofrimento constante a marca
de meus dias.
***
Não raro, mesmo beneficiados
pelo conhecimento espírita,
enfrentamos um problema
"ótico" na apreciação da
jornada humana.
Imaginamos que as situações
problemáticas e angustiantes
são cobranças cármicas,
relacionadas com débitos do
pretérito.
Não percebemos que se situam
muito mais por abençoados
estímulos, a fim de que não
nos acomodemos, nem nos
transviemos.
Fácil observar que nossas
preces mais sentidas, nossos
anseios mais nobres,
sustentam-se nos
convincentes apelos da
mestra Dor.
Lutas e dificuldades do
cotidiano inibem nossas
tendências viciosas.
***
Conversei, certa feita, com
um companheiro espírita,
desses que chegam cheios de
boas intenções e logo se
afastam, dispensando
explicações.
– Então, meu caro, por onde
anda? Algum problema em
nossa casa ou com você e a
esposa? Ambos sumiram sem
aviso…
– Não, Richard, não houve
nada de grave. Estamos muito
bem. Talvez seja esse o
problema… Como sabe, quando
nos casamos, a vida era
difícil. Eu ainda estudava.
Ganhava o sustento em
emprego precário, ajudado
pela esposa que vendia
roupas. Logo vieram dois
filhos, o primeiro com
problemas de saúde.
Orçamento apertado, tudo
controlado. Nada de gastos
supérfluos, passeios, festas
ou badalações…
– Lembro bem… Economizavam
até o passe de ônibus! Era
uma boa caminhada até o
Centro…
– Isso mesmo! Não obstante
as dificuldades ou até por
causa delas, encontrávamos
tempo e inspiração para o
cultivo dos valores
espirituais. Orávamos em
família, participávamos dos
serviços assistenciais no
fim de semana, comparecíamos
às reuniões doutrinárias.
Nossa vida tinha um sentido,
um ideal a ser concretizado…
Isso tudo nos dava muita
força e abençoada
tranqüilidade.
Suspirou fundo e concluiu,
melancólico:
– Depois as coisas
melhoraram. Comecei a ganhar
dinheiro num promissor
empreendimento comercial;
meu filho superou os
problemas de saúde, mudamos
para um bairro de classe
abastada. Multiplicaram-se
compromissos profissionais e
sociais. Atividade intensa,
sem espaço para as orações
em família, o culto, a
atividade espiritual…
Prosperamos materialmente,
mas, tanto eu quanto minha
esposa sentimos que algo
precioso, de valor
inestimável, ficou perdido…
– Talvez um sentido para a
existência, um objetivo…
Meu amigo suspirou:
– Exatamente! Ficou um
vazio… Lembro uma expressão
popular que define o
assunto: Eramos felizes e
não sabíamos!
Lamentavelmente, não
obstante o desabafo, meu
amigo ainda não encontrou
tempo para retomar os ideais
negligenciados.
***
Quando o caminho é fácil,
esquecemos a bússola do
discernimento.
Acabamos nos desviando dos
roteiros celestes que, bem
sabemos, estão perfeitamente
delineados nas lições de
Jesus, reverenciado por
Kardec no comentário à
questão número 625 de O
Livro dos Espíritos:
Para o homem, Jesus
constitui o tipo de
perfeição moral a que a
Humanidade pode aspirar na
Terra.
Deus no-lo oferece como o
mais perfeito modelo e a
doutrina que ensinou é a
expressão mais pura da lei
do Senhor, porque, sendo ele
o mais puro de quantos têm
aparecido na Terra, o
espírito divino o animava.
Raros se disporiam a repetir
a súplica de Druso,
esquecidos de Jesus e do
significado de sua missão.
Mas estejamos certos de que
Jesus não se esquece de nós,
permitindo que venham dores,
lutas e dificuldades em
nosso caminho.
Abençoado propósito inspira
o Mestre Supremo:
Evitar que esqueçamos o
endereço de Deus.
Livro "O Destino em Suas
Mãos"
Editora CEAC - Bauru |