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Chilon (século VI a.C.),
magistrado e filósofo
espartano, um dos sete
sábios da Grécia antiga,
ensinava regras singelas de
conduta que estariam
presentes em qualquer manual
de auto-ajuda, gênero
literário que faz sucesso
nestes dias de carências,
dúvidas e temores.
Nas suas máximas, coletadas
fragmentariamente em Vida de
Ilustres Filósofos, de
Diógenes Laércio (século
III), recomenda Chilon:
• Controla a língua…
• Cultiva recato no
casamento...
• Respeita os mais velhos…
• Vigia a si mesmo…
Como se vê, nada diferente
do que conhecemos.
Há um senso comum,
conjugando a sabedoria dos
séculos.
Exprime-se em máximas que
operariam radicais mudanças
na sociedade humana, se
colocadas em prática.
***
Uma máxima de Chilon,
utilíssima, fundamental, é
pouco observada. Costuma-se
fazer exatamente o
contrário.
Recomenda o filósofo:
Não fale mal dos mortos.
Inicialmente, até falamos
bem.
Num velório, à falta de ter
o que dizer aos familiares,
promovemos o finado ao
exprimir nossas
condolências:
– Coitado! Tão bom… Morreu!
Em breve, no próprio
ambiente em que é velado o
defunto, mudamos a postura.
Evocamos suas fragilidades,
defeitos e episódios menos
edificantes que lhe marcaram
a existência.
Lamentável desrespeito
diante do companheiro de pés
juntos, vestindo o “pijama
de madeira”.
Geralmente, os Espíritos
desencarnados permanecem
ligados ao corpo durante o
velório.
Carecem de orações, não de
críticas.
Em face da turvação mental
em que se situam, assimilam
as vibrações geradas por
observações descaridosas dos
presentes. Sentem-se
perturbados e aflitos, sem
perceber o que está
acontecendo.
***
O “defunto”, não raro, reage
à maledicência.
O maldizente poderá dar-se
mal…
Ocorre principalmente quando
o desavisado tece críticas
contra alguém de parcas
virtudes, que esticou as
canelas há algum tempo.
Adaptado à vida espiritual,
mas não convertido ao Bem,
poderá causar-lhe
dissabores.
No livro Missionários da
Luz, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, o
Espírito André Luiz
reporta-se a um episódio
dessa natureza.
O autor e um companheiro
foram à casa de certo homem,
Vieira, que faltara a uma
reunião na espiritualidade.
Desejavam saber o que o
impedira.
O sono é breve viagem ao
mundo dos mortos.
Enquanto o corpo dorme,
refazendo energias,
transitamos pelas plagas do
Além. São ensaios para a
transferência definitiva,
quando a senhora da foice
nos convocar.
Os dois tarefeiros o
encontraram em situação
difícil.
Afastado do corpo em repouso
no leito, Vieira quedava-se
apavorado ante a presença de
um Espírito que o ameaçava.
O indesejável visitante
explicou que durante o
jantar, conversando com
familiares, o dono da casa
tecera considerações
desairosas à sua pessoa. Ele
captara as vibrações
negativas da crítica e viera
tirar satisfações.
Vieira tremia,
descontrolado, incapaz de
uma reação.
Induzido por André Luiz e
seu companheiro, despertou
assustado, banhado em suor.
Guardava a impressão de que
estivera com o dito-cujo.
Mas, sem autocrítica, não
percebeu que ele viera
cobrar-lhe a leviandade.
Definiu a experiência como
um pesadelo, que atribuiu a
problema digestivo ou algo
semelhante, sem perceber que
nas fofocas contra o “morto”
estava a origem de seu
problema.
***
Chilon tem razão.
A piedade recomenda que
oremos pelos mortos.
Manda a prudência:
Não falemos mal deles!
Do livro Luzes no Caminho |