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Naquele bar, um espelho
mágico, destinado a testes
femininos.
A mulher que mentisse diante
dele sumiria, como num passe
de mágica – “poof”!
Se falasse a verdade, seria
premiada com a realização de
um desejo.
Bela ruiva disse, a
mirar-se:
– Pensando, cheguei a
conclusão de que sou a
mulher mais linda do mundo.
“Poof”!
Atraente morena,
contemplando sua imagem,
afirmou:
– Penso que sou a mulher
mais sexy do mundo.
“Poof!”
Veio uma loira, muito
bonita…
– Andei pensando…
“Poof!”
***
Pois é, leitor amigo,
estamos diante de um
estereótipo, ou lugar-comum,
envolvendo uma idéia
equivocada:
As loiras não estão
acostumadas a pensar.
Atribui-se a Arthur
Schopenhauer (1788-1860),
filósofo alemão, um
estereótipo mais
contundente.
A mulher é esse ser de
cabelos cumpridos e idéias
curtas.
Maldade do filósofo.
Nem todas têm cabelos
cumpridos…
Perdoe-me, prezada leitora.
Espero não perder sua
amizade, por não perder a
oportunidade da pilhéria.
***
Mudemos o enfoque.
Nota-se arraigada tendência
em alguns religiosos:
Enxergam, invariavelmente,
influências demoníacas, em
pessoas com problemas
psicológicos e fisiológicos.
É o diabo! – afirmam,
convictos, como se fossem
dotados de infalível radar
para detectar a presença do
tinhoso.
Trata-se de um estereótipo
da pior espécie, infundado,
inspirado na ignorância e no
preconceito.
Na ânsia de atrair a atenção
da multidão, promovem
verdadeiros espetáculos, em
rituais de exorcismo.
Não raro, esse “diabo” que
pretendem exorcizar é um
“pobre diabo”, um sofredor
recém-desencarnado, sem a
mínima noção do que lhe
aconteceu.
Aproxima-se de familiares
como um náufrago a pedir
socorro e acaba por
perturbá-los, imprimindo
neles algo de suas
angústias.
Precisa de ajuda, de
orientação, de um tratamento
carinhoso. Imagino sua
perplexidade, diante de um
exorcista a situá-lo como o
tinhoso.
Para Espíritos de atilada
inteligência, perfeitamente
conscientes do que fazem e
que nisso se comprazem, a
prática exorcista é inócua.
Desperta-lhes o riso.
Podem, eventualmente,
afastar-se para satisfazer o
ego dos exorcistas e baixar
a guarda das vítimas, mas
logo voltam ao ataque, com
mais força.
Jesus evoca esse problema,
quando situa o Espírito
perturbador como alguém que
deixa uma casa (a mente do
obsidiado); depois, volta
com sete companheiros, e o
estado da vítima fica muito
pior.
***
Nessa história de
influências espirituais é
preciso evitar estereótipos
dessa natureza, partindo da
idéia mais compatível com a
lógica e o bom senso.
Os Espíritos são as almas
dos mortos.
O mundo espiritual é uma
projeção do mundo físico.
Aqui ficam aqueles que,
libertando-se dos liames da
matéria, permanecem presos
aos interesses humanos.
Não raro aproximam-se dos
encarnados para pedir
socorro ou induzir ao erro,
sempre de conformidade com
suas próprias tendências.
Isso não deve nos assustar,
nem nos ensejará problemas.
Basta orientar nossa
existência por princípios de
bondade e integridade,
cultivando o estudo e o
discernimento em relação ao
assunto..
Teremos, então, condições
para ajudar Espíritos
perturbados ou
perturbadores, sem sermos
perturbados por eles.
Livro Para Rir e Refletir |