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Acredito que você, leitor
amigo, nunca ouviu falar de Hipônoo, nome obscuro de um
cidadão grego, filho de
Eurímede e Glauco, também
ilustres desconhecidos.
Mas
certamente conhece
Belerofante, o herói
mitológico.
Ambos
são a mesma pessoa.
Tendo
matado Beleros, tirano de
Corinto, Hipônoo ficou
famoso como “o matador de
Beleros” ou Belerofante.
Suas
aventuras fabulosas
apresentam lances
dramáticos, ações indômitas,
tragédias, mortes e
horrores.
Montado
no Pégaso, o célebre cavalo
alado, realizou proezas
memoráveis, como vencer as
amazonas, as mulheres
guerreiras.
A mais
gloriosa foi matar a
quimera, fabuloso ser com
cabeça de leão, corpo de
cabra e cauda de dragão, que
aterrorizava populações,
expelindo chamas, destruindo
rebanhos e matando gente.
Contando com a ligeireza de
Pégaso, escapava dos jatos
de fogo arremessados pelo
monstro, até que, com
fulminante golpe de espada,
o liquidou.
Não
obstante suas vitórias como
guerreiro, Belerofante
terminaria seus dias
melancolicamente, obscuro
Hipônoo.
Segundo Homero, em A Ilíada,
os deuses voltaram-se contra
ele e o condenaram a vagar
sem rumo, coxo, cego e
solitário, a devorar o
próprio coração.
***
A saga
de Belerofante, como sempre
ocorre com a mitologia, tem
pontos de contato com a
realidade: os desafios
existenciais, os temores e
as dúvidas em torno de
situações difíceis que
imaginamos ou
superestimamos.
Surgem
como “monstros” ameaçadores
que podemos vencer, desde
que trabalhemos intensamente
para isso.
O mais
interessante está na
expressão de Homero –
devorar o próprio coração.
Representa, simbolicamente,
o comportamento de pessoas
que, em face das
atribulações da existência,
entregam-se a sentimentos
negativos, resvalando para a
angústia, a revolta, o
desespero, a depressão…
Nutrem-se das próprias
mágoas, como se cometessem
um ato de antropofagia
moral, atormentados
Hipônoos, nos caminhos da
Vida, esmagados ao peso da
própria desdita.
***
É
preciso resgatar o herói que
há em nós; não a fantasiosa
e contraditória figura
mitológica, mas o filho de
Deus, dotado de suas
potencialidades criadoras,
capaz de enfrentar as
atribulações da existência,
reduzindo-as às suas
dimensões reais.
São
quimeras que podemos
derrotar com as asas do
conhecimento espírita, que
nos permite pairar acima das
misérias humanas,
desvendando os mistérios do
destino.
• O
ente amado que pranteamos
não se consumiu nas cinzas
da sepultura.
Continua a viver em outros
planos do infinito,
acompanhando-nos os passos,
torcendo por nós, esperando
pelo reencontro feliz,
quando chegar nossa hora.
• A
enfermidade que nos aflige
não objetiva impor-nos
perturbações e angústias.
Tratamento de beleza para a
alma, conduz a valiosas
disciplinas e convida-nos à
oração e a reflexão em torno
das jornada humana.
• As
dificuldades que surgem em
nosso caminho não são
obstáculos intransponíveis,
convites ao desalento.
São
estímulos à mobilização de
nossas potencialidades
criadoras, tornando-nos mais
fortes e capazes.
• A
desilusão amorosa que nos
angustia não implica em
aniquilamento de nossas
esperanças.
Apenas
revela que estivemos
iludidos e a experiência nos
ensinará a erguer o edifício
de nossas realizações
afetivas sobre bases mais
sólidas.
***
Se o
leitor amigo, sente-se um
Hipônoo, e anda a devorar o
próprio coração, nos grotões
do desânimo e da tristeza,
lembre-se:
Há um
Belerofante adormecido em
você!
Desperte-o!
Tome o
seu Pégaso, nas asas
abençoadas do conhecimento
espírita, paire acima das
misérias humanas com a
gloriosa visão do infinito e
derrote as quimeras com a
mais poderosa de todas as
certezas:
Deus
nos reserva o melhor, num
glorioso porvir!
Do
livro Luzes no Caminho
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