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Mal completou dezoito anos,
o cabeludo tirou carta de
motorista e convocou a pai a
dividir o carro com ele.
– Sem problema, filho, mas
há duas condições: entrar na
faculdade e cortar as
madeixas.
O jovem deu duro nos estudos
e passou no vestibular.
Quanto aos cabelos…
– Estive pensando, pai.
Sansão tinha cabelos
compridos. Abraão, idem. E o
próprio Jesus…
– Tem razão, filho, mas…
eles andavam a pé.
***
Antes que respeitáveis
senhores que foram cabeludos
ou os próprios, se tomem de
santa indignação, imaginando
uma atitude discriminatória
deste escriba, peço que
vejam nessa história apenas
uma brincadeira introdutória
para arriscar alguns
considerandos sobre a
adolescência.
Ensina a Doutrina Espírita:
Ao reencarnar, o Espírito
entra em estado de
dormência.
Desperta e toma posse de si
mesmo, de suas tendências e
aptidões, de sua maneira de
ser, a partir da
adolescência.
O adolescente seria, então,
o dorminhoco que acorda de
longo sono, desde a vida
intra-uterina.
Será por isso que gosta
tanto de dormir?
Salvo o Espírito evoluído,
que consegue vencer as
limitações impostas pelo
processo, levará algum tempo
para se submeter às
disciplinas da nova
existência.
Enquanto isso não acontece,
certas peculiaridades fazem
dele um “aborrescente”:
• Descuidado em relação à
higiene pessoal.
Na espiritualidade não
precisava de banho, nem
desodorante…
• Bagunceiro incorrigível,
seu quarto parece assolado
por vendaval.
Algo semelhante à desordem
das regiões umbralinas, de
onde quase todos viemos.
• Sente-se ofendido quando
convocado a colaborar nas
tarefas domésticas.
Falam alto nesse período os
condicionamentos
egocêntricos, próprios da
natureza humana.
Por outro lado, um
comportamento contraditório:
• No lar, a contestação e a
rebeldia, no empenho de
auto-afirmação.
• Na sociedade, a submissão
a modismos e
excentricidades,
principalmente, quando
integrado nas “tribos”
urbanas. O inacreditável
piercing, adereço de
masoquista, espetado na
língua, nos lábios, no nariz
e até em partes intimas, é
exemplo típico.
***
Segundo a questão 383, de O
Livro dos Espíritos, durante
a infância, o Espírito …é
mais acessível às impressões
que recebe, capazes de lhe
auxiliarem o adiantamento,
para o que devem contribuir
os incumbidos de educá-lo.
Isso significa que podemos
modificar as disposições de
nossos filhos, ajudá-los a
superar tendências
indesejáveis que trazem de
vidas anteriores e
prepará-los de forma que o
seu despertar para a vida
seja menos complicado; que
estejam menos vulneráveis às
influências negativas; que
possam atravessar essa
transição difícil de forma
equilibrada, sem traumas,
sem desajustes…
Na adolescência, integrados
na nova experiência, será
mais difícil.
Terão suas próprias
iniciativas.
Dependerá deles.
Ainda assim, podemos fazer
algo, exercitando o diálogo,
oferecendo-lhes um ambiente
de entendimento, carinho e
amor, fundamentais para
quebrar suas resistências e
modificar suas disposições.
***
Recurso indispensável: a
disciplina.
O prezado leitor poderá
considerar que na história
que contamos faltou
habilidade ao pai, ao impor
determinado comportamento,
ferindo o livre arbítrio do
filho.
Mas, ainda que o neguem, os
filhos querem isso; precisam
de alguém que lhes imponha
limites.
Lembro-me de um amigo que
prescrevia determinadas
regras aos filhos.
Impensável o piercing, as
tatuagens, a troca do dia
pela noite, a ausência nas
reuniões do Centro.
Quando os filhos reclamavam,
explicava, tranqüilo:
– Meus queridos, quem paga a
conta, envolvendo seus
estudos, alimentação,
moradia, vestuário, saúde,
lazer, sou eu. Enquanto for
assim, tenho o direito de
decidir o que é bom para
vocês. Quando tiverem seu
emprego, sua casa, sua vida,
então poderão fazer o que
lhes der na telha.
Talvez algum psicólogo se
escandalizasse.
Mas há um detalhe
Os quatro filhos, todos
homens realizados, honestos,
íntegros, adoram o pai e
bendizem a educação que
receberam.
Livro Para Rir e Refletir |