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1 – Com o lançamento de
“Antes que o Galo Cante”,
pela editora CEAC-Bauru,
você está com 34 livros
publicados. Considera-se um
escritor consumado?
Longe disso. Sou um operário
da palavra, cujas produções
exigem estudo, pesquisa e
muito esforço. Escrever tem
sido para mim um processo
permanente de aprendizado,
sempre buscando melhorar a
forma e o conteúdo.
2 – Nota-se ampla
diversidade em sua produção
literária – histórias,
contos, crônicas, filosofia,
religião, pinga-fogo, e até
um romance. É intencional ou
vai acontecendo?
Diria que toda a minha
literatura é intencional,
envolvendo a divulgação da
Doutrina Espírita. O
Espiritismo situa-se numa
vanguarda de idéias
renovadoras, com
extraordinário potencial de
consolo e esclarecimento.
3 – Levantamento do IBGE
demonstra que os espíritas
situam-se num nível cultural
acima dos adeptos de outras
religiões. O Espiritismo
pode ser considerado
elitista?
Forçoso reconhecer que o
perfeito entendimento dos
temas espíritas exige alguma
base cultural. Não obstante,
podemos trocar tudo em
miúdos, colocando a Doutrina
ao alcance do leitor não
habituado à leitura. É que
tento fazer.
4 – Por que o título “Antes
que o Galo Cante?”
Ele faz menção à negação de
Pedro, na célebre passagem
evangélica, envolvendo o
Drama do Calvário. Esse
livro completa um série de
seis sobre a vida de Jesus.
Cada um deles reporta-se a
um período, ao qual vinculo
o título, destacando um
episódio. Paz na Terra
enfoca desde o nascimento de
Jesus até o início de seu
apostolado. Levanta-se,
primeiro ano de apostolado;
Tua Fé te Salvou, segundo
ano; Não Peques Mais,
terceiro ano; Setenta Vezes
Sete, últimos tempos.
5 – Há quem diga que o
Espiritismo não tem nada a
ver com o Evangelho…
Essa idéia revela
desconhecimento dos
postulados doutrinários. O
livro espírita mais famoso e
vendido é O Evangelho
segundo o Espiritismo, em
que Allan Kardec demonstra
que o Espiritismo é um
desdobramento do
Cristianismo. Na obra
mediúnica de Francisco
Cândido Xavier, o maior
médium psícógrafo de todos
os tempos, isso também é
ressaltado.
6 – A fonte de seus estudos
sobre a vida de Jesus foi o
Novo Testamento?
Foi a principal. Muitas
outras foram consultadas,
envolvendo livros espíritas,
católicos, evangélicos,
leigos… Busquei abeberar-me,
também, na tradição cristã,
particularmente os chamados
apócrifos, que nos trazem
informações que não constam
do texto evangélico oficial.
7 – Poderia dar exemplo?
O nome de Salomé, que pediu
a cabeça de João Batista,
não consta do Evangelho, bem
como dos reis magos. Não
consta também o episódio
envolvendo Verônica, que
teria enxugado o rosto de
Jesus, quando carregava a
cruz, ficando impressa sua
imagem no pano. Detalhes
assim e muitos outros,
omitidos pelos evangelistas,
nos permitem uma visão mais
completa daqueles dias
gloriosos.
8 – E quanto ao Espiritismo?
Há informações do Além sobre
o Evangelho?
Muitas. Podemos falar de uma
historiografia espírita. A
partir de notícias colhidas
na Espiritualidade, temos
uma visão mais clara e
completa sobre a epopéia
evangélica. O próprio Kardec
usou informações desse
gênero para escrever
comentários evangélicos que
estão presentes em toda a
sua obra. Nesse aspecto,
imperioso recordar esse
monumento literário que é
Paulo e Estevão, psicografia
de Francisco Cândido Xavier,
em que o Espírito Emmanuel
nos oferece a mais completa,
perfeita e emocionante
biografia do apóstolo dos
gentios. |