|
A jovem pergunta:
– Chico, amor é sinônimo de
paixão?
– Ah! minha filha, amor é
comidinha fresca, roupa
lavada e passada, mamadeira
prontinha… Paixão é como o
Joelma, pega fogo e acaba
tudo!
Com a simplicidade e a
jovialidade dos sábios, o
médium estabelece diferenças
fundamentais entre esses
dois substantivos,
equivocadamente tomados à
conta de sinônimos.
A paixão situa-se nos
domínios do instinto, busca
apenas a auto-afirmação, o
prazer a qualquer preço, sem
preocupações além da hora
presente.
Estribando-se no desejo de
comunhão sexual, a paixão é
fogo arrebatador, que
obscurece a razão e leva ao
desatino, deixando, depois,
apenas cinzas, como
aconteceu com o Edifício
Joelma.
George Bernard Shaw, com a
irreverência que o
caracterizava, dizia:
Não há diferença entre um
sábio e um tolo, quando
estão apaixonados.
***
O apaixonado ama como quem
aprecia um doce.
Deleita-se!
É saboroso! Satisfaz o
paladar!
Por isso logo deixa de amar,
atendendo a várias razões:
• Saciou-se.
• Enjoou.
• Deseja novos sabores.
A partir daí, há campo
aberto para o adultério e a
separação, sem que a pessoa
tome consciência do mal que
causa ao parceiro e,
principalmente, à prole,
quando há filhos.
Enquanto perdura a paixão,
podem ocorrer problemas mais
graves e comprometedores:
• Crimes.
Bárbaros assassinatos são
cometidos por amantes que se
sentem traídos e
negligenciados ou que foram
abandonados. Perdendo o
domínio sobre o parceiro,
tratam de eliminá-lo, como
quem joga fora um doce que
azedou.
• Maus tratos.
É característica masculina,
própria de machistas
incorrigíveis, sempre
dispostos a agredir para
impor sua vontade, com o que
apenas conturbam a relação,
matando a afetividade na
parceira.
• Suicídio.
Uma das causas mais comuns
dessa ação nefasta, que
precipita o indivíduo em
sofrimentos inenarráveis no
Mundo Espiritual, é a paixão
contrariada. O sentir-se
traído, negligenciado, ou
não correspondido.
***
O amor situa-se nos domínios
do sentimento.
Sustenta-se numa regra
básica: pensar no bem-estar
do ser amado, com a
consciência de que nossa
felicidade está diretamente
subordinada a esse empenho.
O amor que mais se aproxima
desse ideal é o materno.
A mãe está disposta a todos
os sacrifícios em favor do
filho, porque o bem dele é o
seu próprio bem.
É aquele “espelho em que se
mira, admirada, luz que lhe
põe nos olhos novo brilho”,
conforme o poema famoso de
Coelho Neto.
As uniões felizes, os
casamentos que se estendem
além da morte, ensejando
reencontros felizes na
Espiritualidade, são aqueles
em que os cônjuges revelam
maturidade suficiente para
mudar de pessoa na
conjugação do verbo de suas
ações.
Da primeira do singular –
eu, para a terceira – ele,
permutando cuidados
recíprocos, a se exprimirem
em carinho e solicitude.
No livro Trovas do Outro
Mundo, psicografado por
Chico, o Espírito Marcelo
Gama encerra o assunto:
De afeições anoto a soma
De todo ensino que há:
Paixão é o bem que se toma,
Amor é o bem que se dá.
Livro Rindo e Refletindo com
Chico Xavier |