Educação Para a Morte

“Onze pessoas pertencentes a uma curiosa sociedade norte americana, que morreram a partir de 1967, de enfermidades atualmente incuráveis, NÃO FORAM ENTERRADAS, nem incineradas. Simplesmente: seus corpos foram CONGELADOS por um processo especial (e oneroso) para poderem ser CONSERVADOS      por tempo indeterminado e, EVENTUALMENTE, VOLTAREM À VIDA num futuro imprevisível.”
Leram bem?
Essa notícia foi publicada em agosto de 1971 no jornal
“A Folha de São Paulo”.
De onde poderia nascer essa idéia?
Só poderia ser fruto da ignorância a respeito da nossa realidade espiritual. Por desconhecerem que o homem é constituído de corpo e alma, sendo esta uma entidade perfeitamente distinta e independente daquele e que não foi criada como sub-produto glandular, como ainda pensam muitos!
É a falta de uma educação para a morte – como ensina o professor Herculano Pires, em seu livro do mesmo nome, onde ele diz:
 “Vou me deitar para dormir. Mas posso morrer durante o sono. Estou bem, não tenho nenhum motivo especial para pensar na morte, neste momento. Nem para deseja-la. Mas a morte não é uma opção nem uma possibilidade. É uma certeza”
Todos nós sabemos que o grande problema da vida humana – o maior deles – é a  morte. Porque tudo que nasce, morre! A morte é uma fatalidade biológica.
O materialista diz que a morte é o fim de tudo. Morreu, acabou. Nada mais restará. Mas a reação instintiva de todas as pessoas, diante da morte é de rejeição. Muita gente não gosta nem mesmo de pronunciar essa palavra. Como se isso adiantasse.
Mas será que a morte MATA a vida?
Curiosa é a vida: quando abrimos os olhos na esfera física, descobrimos que temos uma família. Que nos recebe, nos alimenta, nos protege, nos ampara, nos orienta, nos ama. Depois descobrimos o mundo exterior e as leis soberanas que regem a vida. Aí descobrimos, chocados, que a morte é inevitável. E que, um dia, TODOS NÓS vamos morrer! Uma das maiores causas do sofrimento humano é a impermanência dos afetos, a certeza da morte. E uma imensa angústia nos envolve e nos leva a pensar.
- Afinal, quem somos? De onde viemos? Para onde vamos – se é que vamos? Que seremos após a morte? Viveremos eternamente – como ensinam as religiões – ou tudo se aniquilará de vez? Enfim, qual a RAZÃO da vida?
- Haverá algo mais desesperador do que a idéia da destruição absoluta? Afeições caras, inteligência, saber, progresso, tudo laboriosamente adquirido e, sem razão nem lógica, tudo perdido? Tudo pó e sofrimento?
Ainda hoje, depois de tantos milênios de evolução e progresso, o grande enigma da morte continua sendo a grande aflição do homem. Porém, uma secreta intuição nos diz que a vida continua. A crença no NADA, no fim de tudo, afronta a nossa razão!
Desde a mais remota antiguidade todas as religiões ensinam que morrer é transferir-se para outras dimensões da vida! Uma idéia que atravessa séculos e milênios – a sobrevivência da alma – que atrai de maneira crescente a atenção e o interesse de milhões de seguidores, merece um exame mais profundo e lúcido. Na verdade, a crença na imortalidade da alma, na sobrevivência, muda tudo. É a insegurança, a incerteza, a dúvida quanto à vida futura, que cria o temor da morte.
O Espiritismo é a doutrina do túmulo vazio: só o corpo morre. O espírito volta ao seu mundo de origem – o mundo dos espíritos – de onde todos nós viemos um dia. A vida real, permanente, eterna, é lá – no chamado Além! Aqui ela é transitória e passageira como nossos corpos perecíveis. Pela porta do BERÇO, o espírito MORRE no Além e NASCE no plano físico. Depois, pela porta do TÚMULO, o espírito morre na Terra e NASCE         no mundo dos espíritos, ou seja: volta pra casa!
Na verdade, NINGUÉM MORRE! Berço e sepultura são portas para a vida!
Na visão espírita, a morte não existe. Porque nós, sem exceção, espíritos imortais que somos, JÁ VIVÍAMOS ANTES DE NASCER e vamos continuar vivendo depois da morte. Afinal, o que NASCE, VIVE e MORRE é o corpo físico, produto maravilhoso da Lei da Reprodução, que é uma lei divina. Nós, não. Desde que a vida brotou em nós, só Deus sabe quando, ela jamais cessará. Não há como MATAR A VIDA! Os suicidas que o digam.
Mas para que você, leitor, dada a importância do tema, aprofunde as suas reflexões procure ler algumas obras excelentes disponíveis nas livrarias. Richard Simonetti é o autor do livro “Quem tem medo da morte?” O Drº Hernani Guimarães Andrade escreveu “Morte – uma luz no fim do túnel”. A Drª Elisabeth K. Ross, psiquiatra suíça, nos oferece, entre outros: “Morte – um amanhecer”.

Jairo Silvestre

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